Mercadante ministro da ciência e tecnologia

26/01/2011

Segundo o Ministro,o Livro Azul terá papel central na sua administração.

O Ministério da Ciência e Tecnologia é o mais estratégico dos ministérios. Enquanto ministério da tecnologia, ele tem que gerir, estimular, fomentar, organizar a aplicação da ciência transformando conhecimento em produto interno bruto. Enquanto ministério da ciência, ele tem a função de lançar no presente as bases para que, no futuro, se possa transformar conhecimento em PIB.

A tarefa do “ministério da tecnologia” é  para já! Deve servir à estratégia vigente (qualquer que ela seja) e por isso é acompanhada do risco do imediatismo, das cobranças dos grupos de pressão e, por fim, sujeita à tentação da dispersão democratista dos recursos.

A tarefa do “ministério da ciência” é de apostar hoje em vetores de pesquisa para que no futuro alguns desses vetores representem conhecimento transformável em PIB, ou seja, para que no futuro tenhamos ciência para aplicar. Por isso, esta tarefa é sujeita às criticas daqueles que precisam antever um resultado para investir, é sujeita às cobranças dos que não entendem os ritmos e caminhos da construção da ciência, e é sujeita à tentação de seguir os modismos copiados do primeiro mundo quanto à construção do futuro.

O discurso de posse do Ministro Mercadante, como todo discurso de posse, apresenta as intenções ainda desinformadas da vivência no cargo e serve como uma importante declaração de intenções, que será evidentemente temperada pelo relacionamento com as pedras do caminho e com o conhecimento adquirido no percurso.

Um bom gestor deve saber fazer a escolha da sua prioridade. Minha leitura do discurso mostra que teremos um ministro predominantemente da tecnologia, que elegeu a aplicação do conhecimento existente como foco de sua gestão. Um parágrafo elucida este ponto. “De qualquer forma, o descolamento entre ciência e produção tem de ser superado. Pasteur afirmou que não há ciências aplicadas e sim aplicações da Ciência. Todo conhecimento científico pode e deve contribuir para aumentar a nossa competitividade e melhorar a qualidade de vida de todos os brasileiros”. *

Nessa toada e em parte anterior de seu discurso, o Ministro define sua visão econômica citando os seguidores de Schumpeter,  advogando a concepção “…que concebe a inovação como uma visão sistêmica, que articula organicamente todos os agentes envolvidos no processo”. O Ministro prossegue: “Coerentemente com tal modelo, precisamos articular de forma mais consistente, o saber gerado nas universidades e nos institutos de pesquisa com as necessidades tecnológicas do processo de produção industrial”. *

Para todos os que atuam em engenharia e em especial para nós do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies, estas afirmativas são muito animadoras uma vez que pretendem reforçar e aprofundar ações com as quais estamos alinhados desde há pelo menos 25 anos.
Um exemplo é o projeto Desafios Tribológicos em Motores Flex Fuel, que surgiu a partir de uma solicitação de parceiros da indústria automotiva (GM, VW, FPT, PSA, PEUGEOT) bem como de fornecedores da cadeia produtiva (MAHLE, PETROBRAS, FUNDIÇÃO BALANCINS). Este projeto, que congrega docentes da USP, UNICAMP e UFABC, tem caráter pré-competitivo e um forte componente de formação de pessoal e de criação de conhecimento sobre a tribologia dos motores de combustão interna, de forma a apoiar o desenvolvimento sustentado de tecnologias para motores que utilizem biocombustíveis, tanto em suas empresas como nos centros de pesquisa acadêmicos.

Quanto ao papel e a visão do Ministro da Ciência, teremos que aguardar novos pronunciamentos ou mergulhar mais profundamente nos termos do discurso de posse e de suas referências, como o “Livro Azul” que, segundo o Ministro, “ terá, sem dúvida papel central na orientação de minha administração”. *

*Discurso de posse Ministério da Ciência e Tecnologia: http://www.mercadante.com.br/noticias/ultimas/pronunciamento-posse-no-ministerio-da-ciencia-e-tecnologia

Amilton Sinatora

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Oportunidades: apoio do CNPq à tecnologia e inovação

23/07/2010
Microscópio eletrônico de varredura

Empresas e pesquisadores podem aproveitar as oportunidades de financiamento de recursos humanos para inovação oferecidas pelo CNPq.

O CNPq anunciou em julho duas oportunidades para empresas e pesquisadores que fazem ou querem fazer desenvolvimento tecnológico e inovação.

Uma delas é a terceira rodada de 2010 das bolsas RHAE Pesquisador na Empresa, que já foram objeto de post neste blog. Essas bolsas financiam o pagamento de doutores e mestres para trabalhar em atividades de pesquisa tecnológica e inovação em empresas de micro, pequeno e médio porte (receita bruta anual igual ou inferior a R$ 60 milhões) e sede e administração no Brasil. Os valores das bolsas variam, de acordo com o título e experiência do pesquisador e a região do país, entre R$2.200 e R$4.500.
Para concorrer às bolsas, as empresas devem enviar propostas de projetos de desenvolvimento tecnológico de produtos ou processos que visem ao aumento da sua competitividade, a ser realizados em até 30 meses. A data limite para submissão de propostas é o dia 27 de agosto. Mais informações no edital.
A proposta deve mencionar a quantidade e o perfil dos pesquisadores necessários para a realização do projeto. Se aprovada a proposta, a empresa deverá fazer as indicações dos bolsistas. Cada projeto poderá receber um máximo de R$300 mil em bolsas. A empresa deverá aportar uma contrapartida mínima de 20% do valor do projeto, em recursos financeiros ou não financeiros, tais como salários, passagens, seguros, equipamentos e material bibliográfico.
Parcerias com universidades, outras empresas e demais organizações que agreguem recursos (financeiros ou não) para a execução do projeto são esperadas e levadas em conta na avaliação da proposta.
Do ponto de vista da empresa, as bolsas RHAE ajudam a diminuir os custos do desenvolvimento (os recursos de custeio e capital deverão ser desembolsados pela companhia e podem ser lançados como contrapartida segundo indicado no edital). Do ponto de vista do pesquisador, é uma porta de entrada ao mundo empresarial e uma excelente oportunidade de levar ao mercado anos de trabalho laboratorial. É importante destacar que não só existe a possibilidade de a empresa ter a iniciativa de inovar e procurar o candidato, mas também a de o pesquisador levar um projeto até a empresa e convencê-la da sua viabilidade e importância.
No regulamento consta a lista de setores industriais que devem ser contemplados nos projetos (automotivo, têxtil, biodiesel, aeronáutico, petróleo, mineração, etc.) – muitos deles relacionados à engenharia de superfícies.
A segunda oportunidade anunciada pelo CNPq se refere às bolsas de produtividade em desenvolvimento tecnológico e extensão inovadora (bolsas DT), cuja finalidade é distinguir o pesquisador doutor (titulado há pelo menos três anos) que possua uma produção destacada em desenvolvimento tecnológico e inovação. Os valores mensais variam de R$1.100 a R$1.500, com adicionais de bancada de R$1.000 a R$1.300. Os pesquisadores interessados em se inscrever podem fazê-lo por meio da Plataforma Carlos Chagas do CNPq até o dia 18 de agosto.

Inovação, trabalhadores qualificados e o câmbio valorizado

10/11/2009
Inovação, trabalhadores qualificados e o câmbio valorizado
Questionar paradigmas é sempre saudável especialmente para pesquisadores. Em mais uma instigante matéria o professor Naércio Menenzes Filho mostrou na edição de 2 de outubro de 2009 do Jornal Valor Econômico, que o câmbio valorizado pode ter efeito positivo sobre a produtividade e o crescimento de nossas empresas.
No período recente de crescimento, interrompido pele crise do ano passado, as importaç?os brasileiras cresceram aceleradamente. Entretanto a que mais cresceu foi a de bens intermediários pois as empresas se aproveitaram do câmbio para diminuir curstos, aumentar a produção e, ao menos potencialmente, beneficiar o consumindor com menores preços
Em segundo lugar cresceram as importações de bens de capital, o que indica que as empresas estão incorporando novas tecnologias o que também deve causar diminuição no preço e aumento da produtividade.
Contrariando as notícias mais chamativas, os bens de consumo não apenas representam o menor valor das importações como na sua totalidade representam o item que teve na história recente, menor crescimento.
Publicações recentes respaldam estas considerações e o efeito positivo das importações, ou seja o, efeito positivo da competição entre empresas via importação. É importante saber que este efeito positivo existirá e será  tanto maior quanto mais próximas da fronteira tecnológica estiverem as empresas pois estas tem mais facilidade de inovar para competir. Isto só é possível com trabalhadores qualificados como os formados nos programas de pós graduação nos quais os pesquisdores do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies atuam.
Amilton Sinatora
Questionar paradigmas é sempre saudável, especialmente para pesquisadores.
Em mais uma instigante matéria, o professor Naércio Menenzes Filho mostrou na edição de 2 de outubro de 2009 do Jornal Valor Econômico que o câmbio valorizado pode ter efeito positivo sobre a produtividade e o crescimento de nossas empresas.
No período recente de crescimento, interrompido pele crise do ano passado, as importações brasileiras cresceram aceleradamente. Entretanto, a que mais cresceu foi a de bens intermediários, pois as empresas se aproveitaram do câmbio para diminuir custos, aumentar a produção e, ao menos potencialmente, beneficiar o consumidor com menores preços.
Em segundo lugar, cresceram as importações de bens de capital, o que indica que as empresas estão incorporando novas tecnologias – o que também deve causar diminuição no preço e aumento da produtividade.
Contrariando as notícias mais chamativas, os bens de consumo não apenas representam o menor valor das importações como, na sua totalidade, representam o item que teve, na história recente, menor crescimento.
Publicações recentes respaldam estas considerações e o efeito positivo das importações, ou seja o, efeito positivo da competição entre empresas via importação. É importante saber que este efeito positivo existirá e será  tanto maior quanto mais próximas da fronteira tecnológica estiverem as empresas, pois estas têm mais facilidade de inovar para competir. Isto só é possível com trabalhadores qualificados como os formados nos programas de pós-graduação nos quais os pesquisadores do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies atuam.
Amilton Sinatora