Imagem do mês de novembro. Entrevista com o autor.

01/12/2016
Microestruturas de polipirrol eletrodepositado sobre aço inox.

Microestruturas de polipirrol eletrodepositado sobre aço inox.

Sobre um “chão” de aço inox coberto pelo polímero orgânico polipirrol, jazem “coquinhos” de polipirrol (caídos de uma palmeira de polipirrol?). O cenário só pode ser visualizado com o auxílio de um microscópio, pois os coquinhos têm apenas algumas centenas de micrômetros.

A imagem, que ilustra a página de novembro do calendário do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies, foi realizada pelo estudante do curso de Engenharia Química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Stéfano Rahmeier Marquetto, usando um microscópio eletrônico de varredura (MEV) do centro de microscopia da federal gaúcha. As estruturas de polipirrol foram obtidas a partir de uma técnica chamada cronoamperometria, com o intuito de servirem como dispositivos para liberação controlada de fármacos através de impulsos eletroquímicos. Para participar do concurso “Superfícies em Imagens”, Stéfano coloriu artificialmente a imagem e conseguiu deixar bem explícita sua semelhança com um cantinho debaixo de uma palmeira…

Veja nossa breve entrevista com Stéfano.

Stéfano Marquetto.

Stéfano Marquetto.

Boletim Engenharia de Superfícies: – Conte-nos um pouco sobre o contexto em que foi gerada a imagem.

Stéfano Marquetto: – A imagem foi gerada durante uma pesquisa de iniciação científica, sob orientação da professora Dr. Jacqueline Arguello, pelo programa BIC UFRGS – REUNI. Nós pesquisamos processos de eletropolimerização com o objetivo de criar sistemas capazes de armazenar compostos e responder a uma diferença de potencial.

Boletim Engenharia de Superfícies: – Explique de modo simples e breve o passo-a-passo da eletrodeposição que gerou as estruturas de polipirrol. Por que foi depositado em aço inox? Por que o processo gerou os “coquinhos”?

Stéfano Marquetto: – Basicamente, montamos uma célula eletrolítica com uma solução contendo pirrol e surfactante, e aplicamos uma diferença de potencial cíclica entre os eletrodos de aço inox. A escolha do aço inox é porque precisamos de uma base firme e condutora e que durante o processo propicie a formação destas estruturas ocas. O processo de polimerização que empregamos faz com que parte do pirrol se polimerize em formas arredondadas.

Boletim Engenharia de Superfícies: – Sobre a aplicação das microestruturas, elas chegaram a ser testadas na liberação controlada de fármacos? Como funciona essa liberação através de impulsos eletroquímicos?

Stéfano Marquetto: – Chegamos a fazer testes para a liberação de morfina, mas em pequena escala. A liberação funciona através de uma propriedade do polipirrol de se contrair ou expandir quando está sob efeito de uma diferença de potencial. Uma vez retido dentro do polímero, o fármaco poderia ser liberado quando o polipirrol se expandisse.

Boletim Engenharia de Superfícies: – Gostaria de agradecer alguém que tenha participado da realização da imagem vencedora?

Stéfano Marquetto: – Gostaria de agradecer, e muito, à professora Dr. Jacqueline Arguello, que é uma orientadora excelente e foi a principal responsável por termos sido um dos vencedores com esta imagem.

Boletim Engenharia de Superfícies: – Fique à vontade para outros comentários.

Stéfano Marquetto: – Gostaria apenas de novamente agradecer pela premiação e congratular os organizadores, e dizer que ficarei atento para as próximas edições do prêmio.

Para entrar em contato com Stéfano: stefano.marq@gmail.com.

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Imagem do mês de outubro. Entrevista com o autor.

28/10/2016

Folhas caídas na grama enfeitam a página do mês de outubro do calendário do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies. Cada uma dessa folhas é, na verdade, um cristal de óxido de zinco (ZnO) de espessura nanométrica. As nanofolhas foram fabricadas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) visando à sua aplicação como sensores de alta sensibilidade.

A imagem, antes de ser colorida digitalmente usando um editor de imagens, foi realizada num microscópio eletrônico de varredura (MEV) do Centro de Microscopia Eletrônica da UFRGS pelo vice-diretor do centro, o professor Daniel Lorscheitter Baptista. Mestre e doutor em Física pela UFRGS, com pós-doutorado na University of Cambridge (Reino Unido), Baptista foi pesquisador do Laboratório de Microscopia Eletrônica de Alta Resolução do INMETRO e, desde 2010, é professor do Instituto de Física da UFRGS. Na federal gaúcha, ele atua nos programas de pós-graduação em Microeletrônica e em Física. Além disso, é vice-diretor da Sociedade Brasileira de Microscopia e Microanálise (SBMM).

MEV de cristais de ZnO em formato de nanofolhas. Crédito: Daniel Lorscheitter Baptista, professor da UFRGS (RS).

Imagem MEV digitalmente colorida de cristais de ZnO em formato de nanofolhas.

A mesma imagem, antes de ser colorida.

A mesma imagem, antes de ser colorida.

Veja nossa breve entrevista com o professor Daniel.

Boletim Engenharia de Superfícies: – Conte-nos um pouco sobre o contexto em que foi gerada a imagem.

Prof. Daniel Lorscheitter Baptista.

Prof. Daniel Lorscheitter Baptista.

Daniel Lorscheitter Baptista: – A imagem foi obtida durante o processo de otimização da síntese de nanofios de ZnO em um reator desenvolvido na UFRGS. Era um projeto de síntese de nanomateriais para aplicações em sensoriamento de alta sensitividade, nas quais estima-se a detecção de moléculas em baixas concentrações (parte por bilhão – ppb). Nanoestruturas de óxidos metálicos apresentam grande variação em suas propriedades de transporte elétrico ao contato com moléculas em um determinado ambiente. Tal propriedade pode ser utilizada no desenvolvimento de sensores muito mais eficientes do que aqueles fabricados com materiais “bulk”. Áreas biomédicas e de monitoramento ambiental podem ser fortemente impactadas. O projeto foi desenvolvido sobre minha coordenação no âmbito do Edital CNPq “Programa Nacional de Nanotecnologia”.

Boletim Engenharia de Superfícies: – A imagem mostra nanofolhas de óxido de zinco. Elas são nano na espessura? Por que possuem esse formato de folha? Ele se formou espontaneamente? Como foram fabricadas?

Daniel Lorscheitter Baptista: – As folhas têm espessura nanométrica e são o resultado do crescimento do cristal hexagonal de ZnO através da nucleação em duas direções. O método de síntese chama-se VLS (vapor-líquido-sólido), sendo iniciado através da fase vapor do material desejado. Muitas vezes, “sementes” metálicas catalisadoras são utilizadas para auxiliar a nucleação. Em geral, o objetivo desse tipo de síntese é a formação de nanofios. Nesse caso, teríamos o crescimento do ZnO ao longo da direção rápida de crescimento [001], formando um fio com alta razão de aspecto (diâmetro nanométrico e comprimento micrométrico). Entretanto, dependendo das condições de síntese, outros pontos de nucleação podem favorecer o crescimento da estrutura em diferentes direções, formando nanoestruturas peculiares: “folhas”, “flores”, entre outras.

Boletim Engenharia de Superfícies: – Gostaria de agradecer alguém que tenha participado da realização da imagem vencedora?

Daniel Lorscheitter Baptista: – É importante mencionar que a técnica de síntese descrita foi inicialmente utilizada por mim durante um estágio pós-doutoral no “Electronic Devices & Materials Group” na Universidade de Cambridge, UK. Todo o processo foi trazido de lá. Atualmente, expandimos a técnica e a montagem de novos reatores, trabalhando com diferentes materiais 1D e 2D.

Para entrar em contato com o professor Daniel Lorscheitter Baptista: dbaptista@gmail.com.


Imagem do mês de junho. Entrevista com o autor.

27/06/2016
Imagem de SEM de silício texturizado com nanopartículas de Ag. Crédito: Douglas Soares da Silva, estudante da UNICAMP (SP).

Imagem MEV de silício texturizado com nanopartículas de Ag.

Na página do mês de junho do calendário do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies, uma imagem de microscopia eletrônica de varredura (MEV) mostra uma das pirâmides micrométricas “esculpidas” na superfície de uma amostra de silício cristalino, parcialmente coberta por nanopartículas de prata (os pontinhos claros da imagem). Esta estrutura, longe de ter apenas uma função decorativa, pode ser usada para fabricar células fotovoltaicas (dispositivos que transformam diretamente a luz do sol em corrente elétrica) mais eficientes. De fato, enquanto a geometria das pirâmides aumenta a probabilidade de absorção da luz pelo material, a presença das nanopartículas de prata ajuda a direcioná-la para onde interessa por meio dos chamados “efeitos plasmônicos”.

A imagem foi realizada no Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) por Douglas Soares da Silva, e depois colorizada digitalmente. Douglas está concluindo seu doutorado em Física na Unicamp com orientação do professor Francisco das Chagas Marques. Em paralelo, ele trabalha no Instituto de Química da Unicamp com técnicas de microscopia (eletrônica e de força atômica), auxiliando grupos de pesquisa desse instituto e seus colaboradores.

Segue uma entrevista com Douglas.

Boletim Engenharia de Superfícies: – Fale sobre o contexto em que foi gerada a imagem.

Douglas Soares da Silva: – Esta imagem ilustra o resultado final de um processo de microtexturização superficial, na forma de pirâmides com base quadrada, de silício cristalino, seguido de uma segunda etapa onde as microestruturas produzidas são decoradas com nanopartículas de prata (Ag). O objetivo deste procedimento foi produzir uma estrutura final onde fosse aumentada tanto a probabilidade de absorção de luz como seu subsequente aproveitamento na fotocriação de portadores de carga, potencializando, com isso, a produção de células fotovoltaicas mais eficientes. Este trabalho, coordenado pelo Prof. Dr. Francisco das Chagas Marques com financiamento da FAPESP e do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies (CNPq – programas INCTs), foi desenvolvido paralelamente às atividades de pesquisa diretamente relacionadas ao tema de meu doutorado.

Boletim Engenharia de Superfícies: Por que/para que o silício foi texturizado formando pirâmides?

Douglas Soares da Silva: – A texturização em forma de pirâmides com base quadrada ocorre graças à existência de anisotropia à corrosão química por parte dos planos cristalográficos do silício. As pirâmides criadas na texturização da superfície do silício aumentam a probabilidade de absorção da luz pelo material. É como se o feixe incidente colidisse com as faces das pirâmides e resultasse em maiores chances de ultrapassar a interface com o material. O resultado pode ser visto por uma diminuição da reflexão, que em geral altera-se de 40%, quando luz na faixa do visível é incidida perpendicularmente sobre uma lâmina de silício polida, para próximo de 10% no caso do material texturizado. Esta técnica é rotineiramente usada em tecnologias de produção de células solares.

Boletim Engenharia de Superfícies: – Como foram “inseridas” as nanopartículas de prata?

Douglas Soares da Silva: – Posterior à etapa de microtexturização, induziu-se termicamente, e em ultra-alto-vácuo, a formação de nanopartículas de Ag sobre toda a superfície microtexturizada a partir de um filme muito fino depositado através da técnica de pulverização, chamada de “sputtering”. A vantagem da metodologia utilizada é exatamente a revelada pela imagem: as partículas podem ocupar de maneira uniforme superfícies muito inclinadas.

Boletim Engenharia de Superfícies: – Explique muito brevemente em que consistem os efeitos plasmônicos que podem ser incentivados pela presença das nanopartículas de prata.

Douglas Soares da Silva: – Efeitos plasmônicos, de forma bastante sucinta, podem ser entendidos como processos de espalhamento de luz causado por oscilações de cargas elétricas. Fenômenos como a amplificação localizada da radiação incidente e/ou seu desvio controlado de trajetória podem ser induzidos a partir da interação entre os campos oscilantes que a compõem com os elétrons, sobretudo aqueles de maior mobilidade, presentes, por exemplo, em nanopartículas de Ag. A intensidade desses fenômenos dependerá tanto do comprimento de onda da radiação incidente quanto da forma, tamanho e o ambiente em que a nanopartícula está imersa. Em nosso caso, o objetivo era produzir maior redirecionamento da luz solar para a homojunção PN da célula fotovoltaica de silício.

Boletim Engenharia de Superfícies: – Gostaria de agradecer alguém que tenha participado da realização da imagem vencedora?

Douglas Soares da Silva: – Gostaria de agradecer aos profissionais técnicos da área de microscopia eletrônica do LNNano/CNPEM pelos ensinamentos e pela ajuda nas caracterizações. A imagem foi obtida no microscópio eletrônico de varredura deste centro. Agradeço também ao Dr. Gustavo Viana pela interpolação de cores desta micrografia.

Para entrar em contato com Douglas: dsoares@ifi.unicamp.br.


Imagem do mês de maio.

03/06/2016
Rede de coordenação com íons de európio.

Rede de coordenação com íons de európio.

Um crisântemo pompom decora a página do mês de maio do calendário do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies. A aparente flor é, na verdade, uma rede de coordenação (MOF) microscópica composta por íons de európio ligados a moléculas orgânicas, vista através de um microscópio eletrônico de varredura (MEV). Por ser luminescente, o material encontra aplicações como marcador e sensor, por exemplo. A imagem foi realizada no Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE), em Recife (PE) por Dyego Maia de Oliveira, e resulta do mix entre dois tipos de imagens geradas pelo MEV, a de elétrons secundários e a de elétrons retroespalhados.


Imagem do mês de outubro: minientrevista com o autor.

20/10/2014

imagem outubroEstrela para uns, flor ou carambola para outros, o objeto da imagem que ilustra a página de outubro do calendário do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies é, na verdade, um cluster de partículas de fosfato de cálcio de algumas dezenas de micrometros. A imagem foi obtida por microscopia eletrônica de varredura (MEV) na Central de Microscopia Eletrônica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O belo conjunto de partículas foi sintetizado pelo método de condensação iônica, no contexto de uma pesquisa que desenvolveu um curativo feito com uma membrana de látex com partículas de fosfato de cálcio incorporadas. O curativo ajudaria à regeneração de tecido ósseo ao liberar paulatinamente o fosfato de cálcio.

O autor da imagem, Rodney Marcelo do Nascimento, 35 anos, é graduado em Licenciatura Plena em Física pela UNESP e mestre e doutor em Ciência e Tecnologia de Materiais, também pela UNESP. Desenvolveu trabalhos de pós-doutorado sobre superfícies funcionalizadas na UFSC (2012), UNESP – Rio Claro (2013) e USP – São Carlos (2014). Atualmente é pesquisador científico do Institut Lumière Matière, na França.

Segue uma breve entrevista com Rodney.

1. Conte-nos sobre o contexto em que foi realizada a imagem.

A imagem está dentre algumas obtidas por MEV para avaliar a morfologia das partículas processadas por diferentes tratamentos físico-químicos. Uma parte da metodologia utilizada foi aproveitada dos trabalhos de doutorado; na época recentemente defendido (2011). O avanço e os desdobramentos da pesquisa resultaram em um projeto de pós- doutorado, realizado na UFSC  em colaboração com a UNESP e a USP. O projeto, no qual fui contemplado com uma bolsa de pesquisa PNPD, foi inteiramente financiado pela CAPES e CNPq.

2. Você esperava ver partículas com o formato que aparece na imagem vencedora ou foi uma surpresa?

Foi possível obter diferentes formatos e tamanhos de partículas, isoladas e em clusters, que variavam a partir da modificação de concentração de reagentes químicos, assim como dos tratamentos térmicos, mas o formato de estrela foi uma surpresa.

3. O belo cluster de partículas da imagem vencedora teve um bom desempenho no contexto da pesquisa?

Embora o formato estelar tenha chamado a atenção, outras partículas menos “charmosas” foram mais eficazes no processo de incorporação na rede polimérica. Os últimos resultados foram publicados recentemente na revista Materials Science and Engineering: C , Volume 39, 1 June 2014, Pages 29-34. O artigo descreve com mais exatidão os caminhos que levaram ao encapsulamento das partículas de fosfato de cálcio  pelas proteínas do látex. As próximas etapas da pesquisa consistem em testar o material em fluido corporal e estudar as interações físico-químicas a partir da molhabilidade da superfície. Como última etapa, iniciar os estudos com células (in vitro/vivo).

4. Conte- nos um pouco mais sobre a ideia do curativo.

A ideia do curativo consiste em se obter um material final com três funcionalidades: 1) isolar o ferimento (mecânico); 2) estimular a regeneração de tecidos (biocompatível); 3) carrear partículas de fosfato de cálcio. Dentro dessa proposta, a aplicabilidade deve ser na regeneração de tecido ósseo.

5. Gostaria de agradecer alguém que tenha ajudado na realização da imagem vencedora?

Agradeço aos órgãos de pesquisa que financiaram o projeto, a todos do suporte técnico, aos coautores Ivan Bechtold, Francisco Guimarães,  Aldo Job, Deuber Agostini e um agradecimento especial ao Fabricio Faita.

Para contatar o Rodney: rodney@fc.unesp.br


Imagem do mês de agosto: minientrevista com o autor.

26/08/2014

imagem do mesEspinhas de peixe soterradas na areia? Soltando um pouco a imaginação, a imagem do mês agosto do calendário do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies nos transporta a uma praia. Sol, cheiro de mar, barulho das ondas.

Entretanto, o que vemos nesta imagem tem escala nanométrica. As espinhas são, na realidade, nanofios de paládio, e a areia, uma coleção de nanopartículas metálicas com diâmetro médio de 30 nm. A imagem foi obtida mediante um microscópio eletrônico de varredura (MEV) do Laboratório Nacional de Nanotecnologia, localizado em Campinas (SP).

O autor da imagem é Douglas Soares da Silva, 30 anos, também autor de outras duas imagens de nosso calendário. Douglas é estudante de doutorado ligado ao Laboratório de Pesquisas Fotovoltaicas do Instituto de Física “Gleb Wataghin” da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), laboratório participante do nosso Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies. Em seu doutorado, orientado pelo professor Francisco das Chagas Marques, Douglas está estudando filmes finos nanoestruturados com ênfase em aplicações fotovoltaicas. Além do doutorado, Douglas trabalha como profissional de apoio à pesquisa no Instituto de Química da Unicamp, auxiliando na caracterização de materiais poliméricos, principalmente por microscopia eletrônica de varredura e transmissão. Douglas tem graduação e mestrado em Física pela Unicamp.

A seguir, o autor nos conta como e por que produziu o sistema de nanopartículas e nanofios “retratado” na imagem de MEV

1. Mate a nossa curiosidade sobre os elementos visuais que compõem a imagem.

A imagem revela um pequeno grupo de nanofios de paládio (Pd) que se destacam sobre uma coleção de nanopartículas metálicas com diâmetro médio de 30 nm. Os fios aparentam estar soterrados, pois eles foram previamente crescidos com auxílio de um tratamento térmico realizado sobre um filme fino de Pd e depois parcialmente recobertos através de um processo a plasma (sputtering) rico em hidrogênio a 330 ºC que incorporou as nanopartículas de cobre (Cu) à amostra. Vale ressaltar que esta etapa final provavelmente também estimulou uma continuidade do crescimento dos fios fazendo com que aparentassem estar emergindo. Este sistema (nanopartículas e nanofios) está revestindo a superfície polida de uma lâmina de silício cristalino.

2. Agora conte-nos um pouco sobre o contexto em que foi realizada esta imagem.

Se tratava de uma amostra dentre experimentos para crescimento e controle de nanoestruturas envolvendo processos PVD (sigla em inglês para physical vapor deposition). O intuito geral era avaliar a qualidade de nanoestruturas seguindo deposições de metais e tratamentos térmicos com plasma de hidrogênio. Não devo utilizar precisamente esta imagem no doutorado, porém a informação que dela extraímos foi útil para caracterização do sistema experimental quanto à formação de nanopartículas metálicas.

3. Gostaria de agradecer alguém que tenha ajudado na realização da imagem vencedora?

Eu gostaria de agradecer o auxílio que tive de Sidnei R. de Araújo do Laboratório Nacional de Nanotecnologia – LNNano/CNPEM na operação do microscópio eletrônico de varredura.

4. Fique à vontade para outros comentários, curiosidades etc. relacionados à imagem.

A identificação composicional dos elementos da imagem foi feita usando a técnica de EDS (sigla do inglês para Energy Dispersive Spectroscopy) no microscópio eletrônico usando espectros e mapas elementares.

Para entrar em contato com Douglas: dsoares@ifi.unicamp.br


Imagem 3D do mês de julho: minientrevista com o autor.

17/07/2014

tanaka_3DA página de julho do calendário do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies convida o usuário a colocar os óculos 3D para melhor visualizar a imagem do mês. A imagem mostra, com um aumento aproximado de mil vezes, uma superfície de aço galvanizado, ou seja, revestido por uma fina camada de zinco, que apresenta um ponto de corrosão. A amostra de aço zincado foi retirada de uma bomba de combustível de carro, e a corrosão ocorreu após expor a bomba a etanol durante 300 horas.

A imagem foi obtida em um microscópio eletrônico de varredura (MEV) do Laboratório de Fenômenos de Superfície (LFS) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP), participante do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies. Para obter o efeito tridimensional, o autor compôs uma imagem do tipo anáglifo a partir de duas imagens bidimensionais, usando o programa StereoPhoto Maker v. 4.36 da Masuji Suto @ David Sykes 2002-2010.

O autor da imagem é o professor titular da EPUSP Deniol Katsuki Tanaka, 67 anos. Doutorado em Engenharia Metalúrgica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP), Tanaka fez mestrado em Ciências pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e graduação em Engenharia Mecânica pela Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (FEG-UNESP). Realizou pós-doutorado nos Estados Unidos, na Johns Hopkins University. Tanaka já foi docente da FEG-UNESP, da Faculdade de Engenharia Química de Lorena (FAENQUIL) da USP e do Instituto Mauá de Tecnologia. Foi também pesquisador do Instituto de Pesquisa Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) e pesquisador visitante nos Estados Unidos, no National Institute for Standards and Technology (NIST) e no National Sinchrotron Light Source do Brookhaven National Laboratory. Tem ampla experiência no estudo da corrosão e do desgaste.

Entrevista com o autor.

1. Comente o contexto em que foi realizada a imagem. 

Esta fotografia foi feita 2005 com um dos corpos de prova da Dissertação (Desgaste e corrosão de bombas de combustível com misturas de álcool e gasohol) de Mestrado do aluno Eng Mecânico,. M Eng, Fernando Fusco Rovai (orientado do Prof. Amilton Sinatora) no Departamento de Engenhara Mecânica da Poli. Como na dissertação não tinha espaço para apresentar a foto, ficou esquecida na minha gaveta. Tomando conhecimento do concurso de fotografia do INES, lembrei da foto e resolvi inscrever, e tive a sorte de ser um dos selecionados.

2. De que maneira a técnica de 3D é uma ferramenta importante para o pesquisador, particularmente no caso desta imagem?

Registrar fotograficamente superfícies que apresentam texturas não é fácil. Nem sempre os contrastes produzidos por efeito de luz e sombra conseguem descrever com precisão e, em alguns casos, só é possível com a utilização da técnica 3D.

3. Fale-nos um pouco sobre as imagens 3D e a Engenharia de Superfícies. Em que medida a técnica é utilizada no mundo?

Como disse, registrar fotograficamente superfícies que apresentam textura ou irregularidades superficiais, como em desgaste e corrosão, não é trivial. Requer conhecimento de técnicas fotográficas, particularmente de iluminação, sensibilidade, profundidade de foco, contraste, entre outros, e mais do que isso, a fotografia pode criar ilusão de óptica, transformando relevo em cavidade e vice-versa. A fotografia 3D elimina esta ilusão e inequivocamente consegue registrar a superfície.

Infelizmente é uma técnica utilizada por poucos, talvez pelo desconhecimento.

É uma técnica apaixonante, depois de dominar a técnica, que não é difícil, fazer fotografia 2D fica sem graça, sem sal. Eu faço fotos de aniversários dos meus netos em 3D e todos ficam deslumbrados..

4. Gostaria de agradecer alguém que tenha ajudado na realização da imagem vencedora?

Sim, ao Fernando Rovai e ao Prof. Amilton Sinatora por não terem utilizado a foto na Dissertação e nem nos trabalhos publicados decorrentes do Mestrado, deixando para mim esta oportunidade de divulgar a foto e ter ganho o prêmio.

5. Fique à vontade para outros comentários, curiosidades etc.

É uma técnica apaixonante e muitos dos meus alunos que fizeram o curso de documentação fotográfica compraram câmera fotográfica 3D.

Estou a disposição para qualquer informação. Aliás a fotografia 3D faz parte do programa da Disciplina Análise de Falha que dou na Escola Politécnica, no curso de graduação em Engenharia Mecânica.

Meu e-mail é dktanaka@usp.br