Desenvolvimento Regional e Tribologia

17/06/2010
Harvard & Leslie University

"Universidades geram renda para a região sem desvantagens da industrialização."

O Grupo de Pesquisa em Gestão de CT&I e Desenvolvimento Sustentável no Nordeste, ligado à UFRN,  promoveu um debate sobre empreendedorismo e inovação nas parcerias universidade-empresa. O geólogo Jerônimo Pereira dos Santos tratou das empresas incubadas no Rio Grande do Norte e do empreendedorismo numa apresentação que me prendeu a atenção pelas novas possibilidades de se tratar a questão da inovação.

Um ponto muito importante é que a questão da inovação no Rio Grande do Norte tem que considerar a quantidade e o porte das empresas, em menor número e muito menores do que em São Paulo, bem como a situação social específica. Esta situação pode ser analisada por meio da seguinte pergunta. A sociedade quer para o Rio Grande do Norte os problemas da industrialização que existem nos estados (países) industrializados?
Longe de ser óbvia a resposta incita a criatividade.
Por exemplo, no debate, ao fim das apresentações, aventou-se a hipótese de que o ensino universitário de qualidade pode, por si só, representar um pólo de crescimento regional. O paradigma mencionado foi a região de Boston na qual concentram-se universidades de alta qualidade, o que gera renda para a região sem muitas das desvantagens da industrialização. Pensou-se por exemplo que um programa que tivesse como meta “ganhar um prêmio Nobel” poderia catalizar iniciativas rumo a um ensino superior de qualidade. A relação desta idéia com a da iniciativa como a do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lyli Safra foi imediata. O Instituto beneficia a população local por meio de serviços de saúde, aumento de renda, fixação dos habitantes na região, educação de qualidade, tudo isto em torno de um projeto que em última instância é um projeto que visa pesquisa de ponta.
Outro caminho surgido no debate foi o de se acoplar iniciativas envolvendo alta tecnologia a algumas das potencialidades locais. A exploração da xelita (minério de tungstênio), vista em décadas anteriores como fonte de suprimento de minério e, portanto, como uma versão local da tradicional industria extrativa mineral, foi tratada como possível fonte de bissulfeto de tungstênio, um parente (não necessáriamente mais pobre!) do bissulfeto de molibdênio, um poderoso lubrificante. Esta abordagem, em que pese manter um aspecto extrativista no processo produtivo, focaliza uma aplicação que envolve tecnologia avançada de processamento na aplicação, por exemplo,  na indústria petrolífera local.
Amilton Sinatora
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O uso do álcool em motores no Brasil desde 1919 e os motores Flex Fuel de 2010

12/01/2010
Os ensaios do Professor Evandro Mirra em seu livro “A Ciência que sonha e o verso que investiga” têm, cada um deles, um ensinamento registrado por quem faz a história da ciência no Brasil.
No ensaio “Inovação para um desenvolvimento sustentável” ele nos surpreende com os seguintes trechos que transcrevo como aperitivos do livro.
“….no início do século XX, quando foram realizadas as primeiras tentativas de utilização do etanol como combustível em motores de veículos, a partir de 1919, em Alagoas e Pernambuco, no Nordeste brasileiro…”
Em 1925 o presidente Epitácio Pessoa declararia que era importante substituir o petróleo uma vez que “ A produção mundial de petróleo começa a se tornar insuficiente para o consumo…”
“ ..o governo Vargas estabeleceu, em 1931 a obrigatoriedade da adição de álcool à gasolina em plano nacional” (…) “ O programa vigorou por vários anos até ser suspenso por razões econômicas, ao final de Segunda Guerra Mundial, com o argumento de que o baixo preço então vigente para a gasolina tornava o etanol pouco competitivo” (…) “ O legado de capacitação técnica e organizacional foi, contudo, extremamente significativo.  Múltiplos problemas foram abordados e resolvidos, envolvendo aspectos como rendimento das misturas carburantes; análise dos diversos tipos de álcool-motor fabricados; instalação das bombas de álcool, inspeção das usinas; verificação da qualidade da gasolina importada; regulagem dos carros que passaram a empregar o álcool.”
Aquele legado foi ampliado enormemente no período posterior a 1975 com o Pró-álcool, o desenvolvimento dos motores flex-fuel e os programas de bio combustíveis, mas estas são outras histórias.
Nada de (muito) novo sob o sol nos últimos cem anos!
Amilton Sinatora