Jubileu de prata da nitretação iônica no Brasil – parte 2

28/01/2011
primeiro artigo sobre nitretação

Primeiro artigo publicado em revista nacional (Metalurgia, da ABM) sobre nitretação iônica, em 1991: repercussão na indústria.

primeiro equipamento nitretação

Primeiro equipamento de nitretação iônica construído na UFRN em 1985.

Gostaria de resgatar mais alguns dados históricos da nitretação iônica que tiveram importância na disseminação da técnica no Brasil, bem como seu desdobramento para o uso do plasma em outras aplicações industriais.

Em 1989 aconteceu o  I Seminário Brasileiro de Materiais Resistentes ao Desgaste, promovido pela ABM com apoio da Escola Politécnica – USP. Esse foi o primeiro palco de discussão da técnica para um público constituído por estudantes, pesquisadores e profissionais da indústria nacional. Lembro-me que nesse fórum apresentei um trabalho intitulado: “Desenvolvimento de um sistema para nitretação iônica”, no qual apresentei resultados ainda preliminares em aços inoxidáveis e aço carbono. Esse trabalho abriu discussões e motivou uma aproximação com profissionais de indústrias nacionais como a Ermeto S.A., Cofap e Brasimet.

A primeira possuía um problema bem definido, que consistia na nitretação de anilhas de aço inox, usada para engate rápido, recentemente desenvolvida pela empresa. Essas anilhas necessitavam “cravar” uniformemente, quando apertadas contra as paredes de um tubo de inox, para vedar saídas de fluídos. Quando as mesmas eram nitretadas por banho de sais, apresentavam camadas irregulares, inviabilizando a vedação. Com a nitretação iônica foi possível solucionar esse problema. Isso motivou a construção, pela empresa, de um protótipo com capacidade para nitretar 1500 peças/batelada.  O reator foi desenhado, construído e montado em Jundiaí. A fonte, de 40 kW, também foi desenvolvida na própria empresa. Participei como consultor na montagem e testes preliminares. Os testes foram positivos, necessitando de pequenos ajustes no sistema de refrigeração, quando necessitava usar mais de 40% da capacidade de potência. Infelizmente, por questões econômicas, o projeto foi abortado e a consolidação do primeiro equipamento industrial genuinamente nacional não ocorreu.

As empresas Cofap, representada na época pelo eng. Jan Vatavuk, e a Brasimet, representada pelo eng. João Vendramin, tiveram também uma participação importante na disseminação da técnica no Brasil. Foram eles que “costuraram” a vinda, em 1994, do primeiro equipamento industrial de nitretação, o qual foi adquirido pela Brasimet. Também nesse período foi adquirido outro equipamento semi-industrial pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), tendo o Prof. Carlos Pinedo e esses engenheiros como principais articuladores de um evento que reuniu mais de 70 engenheiros de empresas para divulgar o serviço disponível naquela instituição.

Nesse período (90-94) aconteceram muitos fatos importantes também na academia. O DEMa-UFSCar construiu um equipamento de plasma pulsado, que era parte do tema do meu doutorado. Mais dois equipamentos semelhantes foram em seguida construídos para a EESC-USP e DF-UFSCar. Por outro lado, a UFSC produzia grande número de teses e dissertações, algumas delas desenvolvidas em empresas como Embraco e Lupatech, que resultaram em parcerias com a indústria e disseminaram novos grupos de pesquisa. A UFRGS produzia trabalhos com base na implantação iônica de nitrogênio em aços, o que culminaria na área de nitretação iônica. Também outras instituições que possuíam facilidades para o desenvolvimento de pesquisas em plasma, como fontes de alta tensão, sistemas de vácuo, espectrômetros de emissão, entre outras, passaram a desenvolver pesquisas na área. Esses são os casos do ITA-INPE (São José dos Campos), Unicamp e USP-SP.

Atualmente a técnica está completamente disseminada no país, com 4 grupos na região nordeste, 1 na região centro-oeste, 15 na região sudeste e 10 na região sul, que formam os pilares para aplicação da tecnologia de plasma em diferentes aplicações.

Clodomiro Alves Junior
Professor titular – UFRN

Veja a parte 1 de “Jubileu de prata da nitretação iônica no Brasil”

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Três ou mais razões para participar do TRIBO-BR

12/08/2010

Congresso Internacional de Tribologia, o TRIBO-BR, será realizado em novembro no Rio e recebe artigos até 30 de agosto.

Nos dias 24, 25 e 26 de novembro será realizado o Congresso Internacional de Tribologia, o TRIBO-BR. Caso participar de um evento de tribologia com 6 plenary speakers extremamente competentes,  ter seu trabalho publicado em revista bem conceituada internacionalmente, debater com colegas de profissão e visitar o Rio de Janeiro no início do verão não sejam razões suficientes, elenco abaixo mais algumas.

  1. Para engenheiros que atuam em mineração e siderurgia sempre ocupados em aumentar a vida e o tempo útil de funcionamento dos incrivelmente valiosos ativos de suas empresas, a participação do Prof. Steffan Jacobson da Universidade de Uppsala na Suécia deveria justificar a inscrição e participação no congresso. O Prof. Jacobson fará uma apresentação plenária sobre abrasão, forma de desgaste dominante em muitos dos equipamentos importantes destas empresas, como moinhos, caçambas, pás, carregadeira, chutes de minério, correias, estações de pelotização e sinterização, entre outros. Não bastasse esta presença ilustre, o autor do livro mais importante sobre abrasão, Microstructure and wear of materials, o Prof. Karl-Heinz Zum Gahr, também estará presente ao evento. Da mesma forma, os colegas acadêmicos que interagem com empresas deste setor como a VALE, PETROBRAS, SAMARCO, GERDAU, CSN, USIMINAS, entre outras, terão uma oportunidade de atualizar seus conhecimentos.
  2. Já os colegas que atuam junto a indústrias de tratamentos térmicos ou de tratamentos de superfície poderão refrescar seus conhecimentos nas palestras dos pesquisadores Dr Ali Erdemir, do Argonne National Laboratory nos Estados Unidos, e do professor Kenneth Holmber, do VTT na Finlândia. Estes pesquisadores apresentarão os mais recentes avanços nos tratamentos superficiais dos materiais. É de se esperar que empresas como a Balzers, a Brasimet, a HEF e a HAUSER, entre outras, venham a usufruir dos benefícios diretos ou via pesquisadores nacionais destas insignes visitas.
  3. Por fim, as apresentações dos professores Hugh Spikes, do Imperial College na Inglaterra, e Michel Martin, da Ecole Centrale de Lyon, trarão conhecimentos atuais sobre lubrificantes e lubrificação de interesse das empresas de rolamento, como INA, FAG, SKF, NSK, bem como para fabricantes de engrenagens e redutores – equipamentos nos quais (e da mesma forma que nos rolamentos), a lubrificação limítrofe e elastohidrodinâmica é essencial.
Por tudo isto levamos até 30 de agosto próximo a data para entrega de trabalhos completos para o evento e convidamos todos os pesquisadores e colegas do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies em particular a participar do evento.
Amilton Sinatora

Atualização em temas importantes em tribologia: uma oportunidade em 2010

01/03/2010
Na discussão com diversas empresas montadoras de automóveis e alguns de seus fornecedores, verificamos que o entendimento da tribologia de motores a álcool precisa ser atualizado no Brasil. Esta atualização é essencial para superar os desafios tribológicos que os motores flex fuel tem que enfrentar.
O principal problema aparente é a corrosão. Este foi detectado no fim do século XIX e, no Brasil, nas primeiras décadas do século XX. Um dos pesquisadores que se destacou neste tema foi o Engenheiros Sabino de Oliveira, nos anos 30 professor da atual Escola Politécnica da USP.
Outros temas não são tão evidentes e não temos trajetória de pesquisa nos mesmos.
No congresso TRIBO BR (24 a 26 de novembro de 2010 no Rio Othon Palace no Rio de Janeiro) serão realizadas palestras sobre os seguintes temas nos quais temos muito a avançar aqui no Brasil:
  • O Dr. Ali Erdemir do Argonne National Laboratory,  Argonne, USA e o Prof. Steffan Jacobson, da Uppsala University, Sweden apresentarão os avanços de suas pesquisas recente sobre filmes resistentes ao desgaste bem como modelos para explicar seu desempenho.
  • O Prof. Hugh Spikes, Imperial College, UK desenvolve há muitos anos estudos sobre lubrificação e em especial sobre condições de lubrificação sob altas pressões locais. O Prof. Spikes tem feito grandes progressos nas técnicas de observação in situ das regiões lubrificadas empregando interferometria, documentando o comportamento dos lubrificantes através de discos transparentes de safira.
  • O Prof. Jean Michel Martin de l´Ecole Centrale de Lyon, France trará para a platéia brasileira os mais recentes avanços no entendimento do papel dos resíduos de desgaste nos valores do coeficiente de atrito e da intensidade do desgaste.
  • Da University of Karlsruhe, Germany o Prof. Karl-Heinz zum Gahr fará uma palestra de atualização sobre tribologia de cerâmicas, materiais cada vez mais importantes na indústria automotiva.
  • Por fim, o Prof. Kenneth Holmberg, do VTT, Finland deverá discutir como andam os modelos preditivos de desgaste. Afinal, para que servem nossos experimentos e modelos teóricos senão para entender como as coisas funcionam e poder prever seu desempenho na vida real?
Por isto a participação no TRIBO BR  é um passo importante na atualização dos tribologistas brasileiros em temas essencias para a tribologia de componentes automotivos.
Amilton Sinatora
Informações sobre o evento

Envio de trabalhos
Revistas que publicarão os artigos
  • Lubrication Science ( incorporating  Journal of Syntetic lubrication and TriboTest)
  • International Journal of Surface Science and Engineering


Tribologia brasileira no cenário mundial – parte 1

12/08/2009
Fundar uma divisão técnica de tribologia na Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM) e realizar um grande congresso internacional de tribologia em dezembro de 2010 foram as principais decisões dos pesquisadores de tribologia no 64o Congresso Anual da ABM realizado em Belo Horizonte de 12 a 17 de julho passado em encontro organizado pelo Professor José Daniel Biasoli de Mello.
O Professor de Mello, indicado para ocupar a direção da Divisão Técnica de Tribologia da ABM, trouxe o comprometimento de alguns dos mais renomados tribologistas do mundo com a realização do congresso de 2010, entre eles Ian Hutchings, autor de conhecido livro texto na área. Este comprometimento advém, segundo de Mello, da participação cada vez maior de pesquisadores nacionais em fóruns de tribologia como o congresso bianual Wear of Materials com contribuições técnica de qualidade.
A realização do congresso associada á publicação de um número especial da revista WEAR com os melhores trabalhos do congresso deve atrair grande número de pesquisadores do Brasil e da América Latina impulsionando o desenvolvimento e a organização da tribologia por aqui.
A participação do nosso Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies, o I.N.E.S, no congresso de 2010 deverá ser expressiva uma vez que parte significativa dos revestimentos desenvolvidos por nossos pesquisadores destina-se a reduzir o coeficiente de atrito ou fornecer proteção contra desgaste prematuro de componentes.

Fundar uma divisão técnica de tribologia na Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM) e realizar um grande congresso internacional de tribologia em dezembro de 2010 foram as principais decisões dos pesquisadores de tribologia no 64o Congresso Anual da ABM realizado em Belo Horizonte de 12 a 17 de julho passado em encontro organizado pelo Professor José Daniel Biasoli de Mello.

O Professor de Mello, indicado para ocupar a direção da Divisão Técnica de Tribologia da ABM, trouxe o comprometimento de alguns dos mais renomados tribologistas do mundo com a realização do congresso de 2010, entre eles Ian Hutchings, autor de conhecido livro na área. Este comprometimento advém, segundo de Mello, da participação cada vez maior de pesquisadores nacionais em fóruns de tribologia como o congresso bianual Wear of Materials com contribuições técnicas de qualidade.

A realização do congresso associada à publicação de um número especial da revista WEAR com os melhores trabalhos do congresso deve atrair grande número de pesquisadores do Brasil e da América Latina impulsionando o desenvolvimento e a organização da tribologia por aqui.

A participação do nosso Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies, o INES, no congresso de 2010 deverá ser expressiva uma vez que parte significativa dos revestimentos desenvolvidos por nossos pesquisadores destina-se a reduzir o coeficiente de atrito ou fornecer proteção contra desgaste prematuro de componentes.

Amilton Sinatora


Tribologia brasileira no cenário mundial – 2

05/08/2009

No  64o Congresso Anual da ABM realizado em Belo Horizonte de 12 a 17 de julho passado, além da constituição de uma  divisão técnica de tribologia na Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM) e da realizar um grande congresso internacional de tribologia em dezembro de 2010 foram divulgadas duas outras notícias significativas.

A primeira, foi a participação do Prof. José Daniel Biasoli de Mello no comitê organizador da 18a Conferência Internacional Wear of Materials. Este evento, realizado a cada dois anos, desde 1975, é o maior e mais expressivo congresso internacional de desgaste. Integrar o comitê organizador é um reconhecimento ao pesquisador, responsável pelo desenvolvimento da abordagem estruturada da tribologia no Brasil. Ao mesmo tempo esta nomeação expressa a crescente participação brasileira neste evento.

A segunda, foi a da outorga do Ken Ludema Award, pelo segundo lugar entre os trabalhos científicos, à contribuição “The influence of the hardness of the harder body on the wear regime transition in a sliding pair of steels” de autoria do engenheiro e estudante do programa de pós-graduação em engenharia mecânica Cristian Viafra Arango e deste que escreve.

Passo a passo vamos criando um caminho bem pavimentado cientificamente que nos leve a ganhos sociais, ambientais e econômicos significativos.

foto post 5 sinatora

foto do encontro da ABM em Belo Horizonte

Amilton Sinatora