O uso do álcool em motores no Brasil desde 1919 e os motores Flex Fuel de 2010

12/01/2010
Os ensaios do Professor Evandro Mirra em seu livro “A Ciência que sonha e o verso que investiga” têm, cada um deles, um ensinamento registrado por quem faz a história da ciência no Brasil.
No ensaio “Inovação para um desenvolvimento sustentável” ele nos surpreende com os seguintes trechos que transcrevo como aperitivos do livro.
“….no início do século XX, quando foram realizadas as primeiras tentativas de utilização do etanol como combustível em motores de veículos, a partir de 1919, em Alagoas e Pernambuco, no Nordeste brasileiro…”
Em 1925 o presidente Epitácio Pessoa declararia que era importante substituir o petróleo uma vez que “ A produção mundial de petróleo começa a se tornar insuficiente para o consumo…”
“ ..o governo Vargas estabeleceu, em 1931 a obrigatoriedade da adição de álcool à gasolina em plano nacional” (…) “ O programa vigorou por vários anos até ser suspenso por razões econômicas, ao final de Segunda Guerra Mundial, com o argumento de que o baixo preço então vigente para a gasolina tornava o etanol pouco competitivo” (…) “ O legado de capacitação técnica e organizacional foi, contudo, extremamente significativo.  Múltiplos problemas foram abordados e resolvidos, envolvendo aspectos como rendimento das misturas carburantes; análise dos diversos tipos de álcool-motor fabricados; instalação das bombas de álcool, inspeção das usinas; verificação da qualidade da gasolina importada; regulagem dos carros que passaram a empregar o álcool.”
Aquele legado foi ampliado enormemente no período posterior a 1975 com o Pró-álcool, o desenvolvimento dos motores flex-fuel e os programas de bio combustíveis, mas estas são outras histórias.
Nada de (muito) novo sob o sol nos últimos cem anos!
Amilton Sinatora
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Bolsas RHAE para mestres e doutores em empresas – no caminho certo!

17/11/2009
Dia quatro de novembro em Brasília, 14 empresas beneficiadas com bolsas RHAE para fixar mestres e doutores em atividades de inovação, apresentaram os projetos desenvolvidos por estes profissionais altamente qualificados.
As empresas que apresentaram trabalhos foram escolhidas entre as mais de 130 beneficiadas pelo edital de 2007 (20 milhões de reais). Elas tiveram tempo suficiente para desenvolverem suas atividades, obter resultados e amadurecerem as principais dificuldades.
Foi feito e apresentado um relatório dos resultados deste investimento público. Entretanto, o que me parece importante compartilhar foi o entusiasmo dos empresários e o compromisso dos bolsistas com as atividades inovadoras das empresas. Todos os projetos têm características de inovação e, em alguns casos, de invenções que estão sendo desdobradas em produtos, serviços ou processos.
Foi unânime destacar o papel do financiamento das bolsas como fator alavancador das atividades das empresas e muitos enfatizaram o importante papel de outras linhas de financiamento do CNPq, da FINEP e das fundações estaduais de apoio, na viabilização das atividades inovadoras das empresas, com destaque para a Fundação Araucária e da FAPESP.
O baixo valor das bolsas foi o vilão responsável pela dificuldade na contratação e manutenção de bolsistas, especialmente os de doutorado. Doutores bolsistas são em menor número do que mestres e mais frequentes em pequenas empresas já bem estruturadas e em SP.
A conclusão positiva desta dificuldade é que houve aumento da empregabilidade dos pós graduados e uma das soluções encontradas – tornar o bolsista sócio da empresa – mostra o desenvolvimento da visão empreendedora destes pequenos empresários com boas perspectivas para o país.
Amilton Sinatora


O PNAD de 2008 e o desgaste de moedas de ouro

16/10/2009
A  participação do trabalho na renda despencou de 50% em 1980 para 39,1% em 2005. Em resumo, cresceu em dez pontos percentuais a participação dos juros, dos lucro e dos aluguéis de imóveis na renda nacional e despencou do mesmo tanto a participação dos salários.
Se os salários perderam participação na renda nacional devido a criação de muitas novas empresas talvez tudo bem. Melhor ainda se estas pequenas empresas forem de alta tecnologia. Se a perda de participação dos salários dever-se a concentração de empresas e ao aumento dos lucros o quadro pode não ser tão bom para o futuro da pesquisa no país. Isto por que os grandes pacotes tecnológicos ainda estão acima da capacidade da nossa estrutura de P & D.
No caso de a perda de participação dos salários ter se devido ao aumento da participação dos juros, podemos antever grandes dificuldades para o trabalho de pesquisa em tribologia. Afinal, o único estudo tribológico que interessa a bancos é o desgaste de moedas de ouro como o feito na Inglaterra em 1798 por Sir Henry Cavendish para explicar o misterioso ?encolhimento? das moedas do reino.
Os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) trazem bons ou maus resultados dependendo de como são analisados. Permitem também uma breve reflexão sobre nosso país-continente e sobre as dificuldades que temos para fazer pesquisa.
O índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, caiu de 0,567 em 1998 para 0,515 em 2008. Estamos melhor que El Salvador com 0,524 (2002) e pior que o Zâmbia que tinha 0,508 (2004). Para comparar, a Argentina tem 0,490 (2007), os Estados Unidos 0,450 (2007) e a Espanha 0,320 (2005).  Se os efeitos da crise não prejudicarem nosso progresso deveremos superar Zâmbia em um ou dois anos!
A  participação do trabalho na renda despencou de 50% em 1980 para 39,1% em 2005. Em resumo, cresceu em dez pontos percentuais a participação dos juros, dos lucros e dos aluguéis de imóveis na renda nacional e despencou do mesmo tanto a participação dos salários.
Se os salários perderam participação na renda nacional devido à criação de muitas novas empresas, talvez tudo bem. Melhor ainda se estas pequenas empresas forem de alta tecnologia. Se a perda de participação dos salários dever-se à concentração de empresas e ao aumento dos lucros, o quadro pode não ser tão bom para o futuro da pesquisa no país. Isto porque os grandes pacotes tecnológicos ainda estão acima da capacidade da nossa estrutura de P & D.
No caso de a perda de participação dos salários ter se devido ao aumento da participação dos juros, podemos antever grandes dificuldades para o trabalho de pesquisa em tribologia. Afinal, o único estudo tribológico que interessa a bancos é o desgaste de moedas de ouro como o feito na Inglaterra em 1798 por Sir Henry Cavendish para explicar o misterioso “encolhimento” das moedas do reino.
Amilton Sinatora

Três demandas globais e a tribologia

15/09/2009

Existem três grandes demandas mundiais que orientam políticas e, conseqüentemente, o desenvolvimento técnico: economia de energia, proteção do meio ambiente e melhoria do bem estar dos idosos. Elas fazem frente a três contingências do desenvolvimento da humanidade: uma insaciável demanda por energia, a degradação desenfreada do meio ambiente e o progressivo envelhecimento da população em todo o mundo.

As três demandas estão intimamente ligadas à tribologia e, portanto, à atuação do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies e dos grupos de pesquisa que o constituem.
A economia de energia está diretamente relacionada com as perdas por atrito. Se estas são, por um lado, inexoráveis em todos os sistemas – uma decorrência inevitável das leis da física – por outro, estas perdas podem ser diminuídas com o emprego de lubrificantes, com a seleção de materiais que minimizem a força de atrito ou com projeto adequado dos componentes.
A proteção ao meio ambiente está associada às perdas por desgaste, com enormes consumos de materiais para repô-las. Basta, por exemplo, pensar no consumo de pneus de automóveis. Ao mesmo tempo, a proteção ambiental depende de diminuição do coeficiente de atrito para que os equipamentos possam funcionar com menores consumos de energia e, conseqüentemente, com menor emprego de combustíveis poluentes.
A melhoria do bem estar dos idosos passa pelo desenvolvimento de próteses dentárias, ortopédicas, cardíacas, de pele e outras, que permitam a substituição dos nossos órgãos desgastados pelos cada vez mais longos anos de existência. Como se vê, o bem estar de todos, em um futuro perfeitamente previsível, passará, inapelavelmente, pelo desenvolvimento de materiais ou de superfícies capazes de resistir a períodos cada vez maiores de funcionamento com segurança e conforto.
Amilton Sinatora