Muqueca tribológica

20/01/2011

Ingredientes

  • 5 defesas de mestrado em dois dias ( Vitória 21 – 22 de dezembro 2010)
  • Profa. Cristina Godoy para uma bela palestra sobre dureza
  • 6 examinadores externo de Uberlândia, São Paulo e Paraná
  • 3 examinadores internos
  • 2 orientadores dispostos a quase tudo

Modo de preparar

Reúna muito espírito crítico, vontade de evoluir, honestidade científica, ao menos dois anos de trabalho forte. Motive e acalme os alunos. Junte todos numa sala por dois dias. Anote e discuta atentamente todas as criticas, perguntas e sugestões. Faça uma visita guiada pelo bem organizado e muito bem equipado laboratório de tribologia da UFES.

Resultados

Dois dias de ininterruptas discussões sobre tribologia.

Reforço e potencialização da colaboração e confiança entre colegas.

Alta motivação dos mestrandos.

E uma moqueca à beira mar!

Aos “chefs” Cherlio Scandian e Marcelo Camargo Severo de Macedo, os agradecimentos e parabéns!

Continuidade

Estão programadas: pizza tribológica em São Paulo e tutu tribológico em Belo Horizonte.

Na foto, da esquerda para a direita:

  1. Carlos Henrique Silva (UTFPR)
  2. Marcelo Camargo Severo de Macêdo (UFES)
  3. Washington Martins (UFES)
  4. Cherlio Skandian (UFES)
  5. Roberto Martins de Souza (USP)
  6. Amilton Sinatora (USP)
  7. André Tschiptschin (USP)
  8. Antônio Cesar Bozzi(UFES)
  9. Cristina Godoy (UFMG)
  10. Daniel B. De Mello (UFU)
  11. Sinésio Franco (UFU)  (não aparece na foto)

Amilton Sinatora

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Que pena! – Tribologia do pescoço de galinhas.

24/06/2010
Ao completar um ano de posts quero comemorar compartilhando com os leitores um pouco do que pode se chamar tribo-humor. Todos os que assistem “The big bang theory”sabem que humor de pesquisador só é entendido por pares. Assim sendo, segue um pseudo paper feito em co-autoria com dois divertidos amigos:
Resposta às conclusões de Hughes a respeito do desgaste supostamente severo de penas de pescoço de galinhas poedeiras

(British Poultry Science, Volume 19, Issue 3 May 1978) (1)


Albertin, E.(2) , Franco, L.A.(3), Sinatora, A. (4)

(1) Trabalho a ser apresentado no primeiro congresso de tribologia mistica a ser realizado em São Tomé das Letras Mortas no próximo solstício de verão.
(2) “Eu posso explicar!”
(3) Atenção revisores maldosos: o nome não é “Frango”!
(4) Não come carne de galinha por ser cada vez mais vegetariano e temer na velhice se tornar goleiro da Inglaterra.

De há muito as aves vêm sendo vítimas de vilanias indescritíveis. Já no alvorecer do século XX era apontada a ação predatória de mulheres que, sem condição financeira de adquirir nobres plumas, tentavam acompanhar a moda da belle époque atacando galináceos para fazer boás (Volaille, 1908). Hoje o problema deslocou-se para o âmbito sócio-econômico e até para a área científica (Hughes, 2010).
As poedeiras comerciais (laying hens) são fonte de renda para incontáveis empresas familiares, bem como para estabelecimentos de grande porte. Inúmeros estudos apontam que o desgaste das penas do pescoço das aves é responsável pelo aumento da incidência de resfriados entre as penosas, com inexorável decréscimo na produção de ovos. Estudos realizados na Austrália, na Nova Zelândia e em países europeus apontam como principais causas do desgaste das penas: a) tentativas de suicídio devido à monotonia da iluminação (Gallo, 2006); b) as tentativas de coito precoce (Hawk, 2001); c) disputas territoriais (Pinto, 1987) e, mais recentemente, d) a ação indireta de piolhos (Avis, 2009).
Egg (2001), num estudo revolucionário, instrumentou dezenas de poedeiras separadas em dois lotes. Um deles foi infectado com lucius penosus, um  piolho repugnante e particularmente agressivo. O outro foi o grupo de controle. Verificou-se após exaustivas repetições que as penosas infectadas enfiavam seus pescoços nos vazios das telas dos galinheiros e ali se coçavam insistentemente. Em decorrência da diferença de dureza entre o aço da tela e a dureza das penas havia dano destas. Os micromecanismos foram identificados em MO e MEV como sendo predominantemente o microcorte penicular que, associado à diferença de dureza entre corpo e contracorpo, permitiu inequivocamente definir o desgaste como ocorrendo no regime severo.
As consequencias fisiológicas foram de dois tipos. O primeiro, de maior impacto no âmbito de ações afirmativas politicamente corretas, foi o travestivismo  galináceo, com algumas penosas passando a responder apenas pelo tratamento de garnizés! A segunda consequência, exteriorizada pela rouquidão no cacarejar decorrente da exposição dos pescoços pelados, foi a queda na produtividade de ovos.
Rapidamente surgiram oportunistas vendendo cachecóis especiais para galináceos, mas sua atuação foi prontamente repelida pelas associações de classe, que convocaram especialistas para avaliar o problema.
Ao  longo do trabalho desses luminares aventaram-se algumas propostas de solução, destacando-se as seguintes: imobilização das galinhas com camisas de força, aspersão de cola nas  penas do pescoço dos animais, aplicação de telas de seda mais moles do  que as penas dos pescoços das galinhas e, por fim, humilhação pública  e indicação ao premio Ignobel do autor do artigo que motivou este monte de bobagens.
Referências
1. Volaille, J. de la, “De l’abominable attaque au poulailler”, Vie Domestique, No. 145, 1908.
2. Hughes, B.O., The frequency of neck movements in laying hens and the improbability of cage abrasion causing feather wear. British Poultry Science, Volume 19, Issue 3 May 1978.
3. Gallo, G., “Depressione – Malattia degli uccelli moderni”, Einaudi Ed., Verona, 2006.
4. Hawk, J.J., “Young Hens as Rape Victims: Psychological Aspects”, Law #237, jan2001.
5. Pinto, M., “Disputas Territoriais”, XXIII Congresso do Reino Animal, Lisboa, 1987.
6. Avis, R., “Lice Infested Hens – A hazardous Condition”, Random House, 2009.
7. Egg, A., “Hen Instrumentation – New Advances”, Butterworth, Stratford, 2001.

Amilton Sinatora