Volta às aulas. Nova bibliografia em tribologia. Volta aos posts.

Livro aborda a tribologia do ponto de vista da Física.

O início dos semestres é (embora os alunos não acreditem) sempre estressante para os professores. Se não é estressante para todos, certamente é estressante para mim, mesmo ministrando o “mesmo curso” de Materiais para Engenharia Mecânica há quase 25 anos e Introdução à Tribologia há quase vinte.

Uma das razões do estresse são as aspas acima, uma vez que nunca é o mesmo curso. Um curso é como um rio, é sempre o mesmo e, simultaneamente, nunca é o mesmo, como já diziam filósofos gregos e Fernando Pessoa. Nos cursos mudam os alunos, que têm a cada ano a mesma idade, e mudam os professores, posto que envelhecem. Mudam também os conhecimentos, e como mudam!
A ciência hoje é produzida em fábricas de ciência, as universidades de pesquisa, ou em empresas de pesquisa. O ritmo de geração do conhecimento é, pois, industrial, potencializado pela informatização que coloca na telinha diante de cada um de nós milhares de revistas de altíssima qualidade que retratam a produção diuturna de conhecimento pelos cientistas. A telinha também dá acesso aos cursos homônimos aos nossos de renomadas universidades pelo mundo afora, o que enseja de nossa parte e de parte dos alunos comparações nem sempre lisonjeiras e nem sempre justas diante da disparidade de apoio ao ensino e da disparidade da tradição acadêmica entre nossos melhores centros e os melhores centros do mundo.
Para aliviar um pouco o nosso sofrimento e permitir uma rápida e refrescante atualização em tribologia está disponível no mercado o excelente Surface and Interfacial Forces, de autoria dos físicos alemães Hans-Jürgen Butt e Michael Kappl (importado por R$ 200,00), Whiley VCH, 2010, 421 páginas e, pasmem 1.461 referências bibliográficas!
O ótimo capítulo sobre mecânica do contato e adesão é seguido por um excelente capítulo sobre atrito, ambos de leitura rápida e ao mesmo tempo capaz de ampliar a visão tradicional sobre os dois tópicos – o que se deve à formação de ambos os autores. A visão “de físicos” que eles nos trazem é renovadora e calçada sobre a preocupação constante em identificar a natureza das forças em jogo nos tribossistemas. Ou seja, eles buscam insistentemente identificar o caráter sempre eletromagnético das forças envolvidas, numa abordagem que segue e amplia a de Israelachvili no clássico Intermolecular and Interfacial Forces, que também recomendo.
Com este post retomo minhas atividades pós-férias no blog do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies!
Amilton Sinatora

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