Engenharia de superfície pré-colombiana

Oros de El Dorado

"Exposição 'Ouros de Eldorado' traz parte do acervo do Museo Del Oro de Bogotá, Colômbia."

Uma das poucas vantagens de se morar na capital de São Paulo é que a maioria dos eventos culturais acaba passando por aqui. É este o caso da exposição “Ouros de Eldorado”, que nos traz parte do acervo do Museo Del Oro de Bogotá, Colômbia.  A exposição está na Pinacoteca do Estado – uma bela edificação incompleta da primeira década do século XX transformada em museu ao lado do Parque da Luz, no centro velho de São Paulo.

O visitante pode conhecer trabalhos em metal de diferentes culturas pré-colombianas que retratam, em adornos de ouro, cobre, bronze e suas ligas, aspectos da fauna, flora e intrigantes concepções abstratas. A visita às peças tem apoio de três vídeos que permitem que o visitante situe histórica, geográfica e antropologicamente as peças da exposição.

Muitas peças foram obtidas por martelamento, ou seja, deformação plástica a frio, seguida de aquecimento para promover o recozimento dos metais e permitir assim que o objeto continue a ser trabalhado sem fraturar. Outras foram obtidas por fundição empregando a técnica de cera perdida, o que permitiu aos nossos precursores obter peças muito delicadas com intrincados detalhes.

O ponto alto da exposição, do ponto de vista da engenharia de superfícies, são as peças feitas em ligas ouro-cobre e tratadas superficialmente.  Nossos ancestrais em engenharia de superfícies moldavam as peças e as oxidavam. Esse processo oxidava seletivamente o cobre aumentando assim a concentração de ouro logo abaixo do filme de óxido.  Em seguida, promoviam a decapagem ácida do filme de óxidos empregando sucos de plantas nativas moídas em solução com água. Com isto conseguiam superfícies muito finas de ouro cuja intensidade de amarelo podia ser controlada mediante as repetições do processo de oxidação e decapagem. Essa tecnologia permitia adequar relevo e cor. A técnica permitia, sem dúvida, que com muito menos ouro (por exemplo 5%) se obtivessem superfícies tão douradas quanto as obtidas em ouro maciço.

Amilton Sinatora

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