Desenvolvimento Regional e Tribologia

Harvard & Leslie University

"Universidades geram renda para a região sem desvantagens da industrialização."

O Grupo de Pesquisa em Gestão de CT&I e Desenvolvimento Sustentável no Nordeste, ligado à UFRN,  promoveu um debate sobre empreendedorismo e inovação nas parcerias universidade-empresa. O geólogo Jerônimo Pereira dos Santos tratou das empresas incubadas no Rio Grande do Norte e do empreendedorismo numa apresentação que me prendeu a atenção pelas novas possibilidades de se tratar a questão da inovação.

Um ponto muito importante é que a questão da inovação no Rio Grande do Norte tem que considerar a quantidade e o porte das empresas, em menor número e muito menores do que em São Paulo, bem como a situação social específica. Esta situação pode ser analisada por meio da seguinte pergunta. A sociedade quer para o Rio Grande do Norte os problemas da industrialização que existem nos estados (países) industrializados?
Longe de ser óbvia a resposta incita a criatividade.
Por exemplo, no debate, ao fim das apresentações, aventou-se a hipótese de que o ensino universitário de qualidade pode, por si só, representar um pólo de crescimento regional. O paradigma mencionado foi a região de Boston na qual concentram-se universidades de alta qualidade, o que gera renda para a região sem muitas das desvantagens da industrialização. Pensou-se por exemplo que um programa que tivesse como meta “ganhar um prêmio Nobel” poderia catalizar iniciativas rumo a um ensino superior de qualidade. A relação desta idéia com a da iniciativa como a do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lyli Safra foi imediata. O Instituto beneficia a população local por meio de serviços de saúde, aumento de renda, fixação dos habitantes na região, educação de qualidade, tudo isto em torno de um projeto que em última instância é um projeto que visa pesquisa de ponta.
Outro caminho surgido no debate foi o de se acoplar iniciativas envolvendo alta tecnologia a algumas das potencialidades locais. A exploração da xelita (minério de tungstênio), vista em décadas anteriores como fonte de suprimento de minério e, portanto, como uma versão local da tradicional industria extrativa mineral, foi tratada como possível fonte de bissulfeto de tungstênio, um parente (não necessáriamente mais pobre!) do bissulfeto de molibdênio, um poderoso lubrificante. Esta abordagem, em que pese manter um aspecto extrativista no processo produtivo, focaliza uma aplicação que envolve tecnologia avançada de processamento na aplicação, por exemplo,  na indústria petrolífera local.
Amilton Sinatora

Uma resposta para Desenvolvimento Regional e Tribologia

  1. Carla Cabral disse:

    Ciência, tecnologia e sociedade

    Retomo uma questão pontuada no texto de Amilton: “A sociedade quer para o Rio Grande do Norte os problemas da industrialização que existem nos estados (países) industrializados?”
    Eu diria que a sociedade potiguar e brasileira, de uma maneira geral, está longe ainda de se configurar como um ator de relevância em nosso sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação. Cidadãos, organizados em entidades não-governamentais ou não, participam muito pouco dos processos decisórios de formulação de políticas científicas e tecnológicas. E o governo, embora tenda a estimular articulações de atores em várias hierarquias e comunidades que produzem conhecimentos, ainda o faz timidamente.
    Assim, arrisco em dizer que a sociedade, se ouvida, talvez brade por um modelo de ciência e tecnologia diferente, mais contextualizado socialmente e alinhado com o local sem deixar de ser global.

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