Tecnologia de atrito e desgaste

Nomear um laboratório de pesquisa de Laboratório de Tecnologia em Atrito e em Desgaste (LTAD) como fez o Professor Sinésio Franco da Universidade Federal de Uberlândia é um ato de ousadia, uma vez que, como sabemos, os modelos (obtidos em equipamentos de laboratórios) em tribologia são pouco aplicáveis à prática (ver Como estão os modelos e equações preditivas de desgaste?).
Para enfrentar este problema, o Professor Franco apostou, junto com outros colegas, em construir tribômetros de grande porte de modo a ensaiar, por exemplo, amostras com  25 centímetros de diâmetro e, aos pares, em condições de desgaste por deslizamento. O equipamento permite a medição das forças normais e tangenciais bem como a realização de ensaios a seco ou lubrificados. Outros equipamentos no LTAD são igualmente impressionantes pelo porte, como o circuito para estudo de erosão e erosão-corrosão que emprega tubos de aço inoxidável 316 com quatro polegadas de diâmetro e tem mais de dez metros de comprimento.
Atacar de frente e explicitamente problemas tecnológicos envolvendo atrito e desgaste é uma abordagem nova e ousada que merece ser comemorada e apoiada, pois afinal, em que pese a teimosia dos modelos, aplicar ciência no mundo real é a vocação dos  engenheiros.
Como todo empreendimento ousado traz inevitavelmente desafios novos, nossos colegas estão imersos juntamente com seus alunos e funcionários em diversos deles, como levar ao mesmo tempo a construção das instalações e a construção dos tribômetros, realizar experimentos e montagens a ao mesmo tempo incorporar novos estudantes na equipe.
Pelo lado da metodologia, os desafios serão tão grandes ou maiores que os equipamentos, uma vez que são raras as informações sobre sistemas tribológicos de grande porte, sobre ensaios tribológicos em escala piloto. Para atacar estes novos desafios, o LTAD conta com uma ampla gama de tribômetros “convencionais”, ou seja “como os nossos”, e um forte apoio da Petrobras e seus fornecedores bem como das agências de fomento FAPEMIG, CAPES, CNPq e FINEP.
Cabe à comunidade tribológica conhecer melhor o trabalho que lá se realiza pois certamente as atividades do LTAD levantarão muitas novas questões metodológicas, acadêmicas e tecnológicas que alimentarão a comunidade nacional. É uma oportunidade única para evoluirmos no Brasil numa direção pouquíssimo explorada no mundo inteiro.
Amilton Sinatora

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