Falhas tribológicas de próteses de fêmur

Um dos pontos fracos da tribologia no momento é o estudo do papel dos debris nos valores de taxa de desgaste e nos valores de coeficiente de atrito.
Recentemente, no Laboratório de Fenômenos de Superfície fizemos um experimento simples, varremos os debris da pista de desgaste e o valor do coeficiente de atrito despencou de 1,4 para 0,2 (no máximo) num ensaio esfera contra disco nitretado!
Quando o sistema tribológico tem uma aplicação biológica então, não apenas os valores do coeficiente de atrito e das perdas de massa devem ser considerados. É essencial saber o destino e o volume de debris formados. A reportagem do New York Times de 03-03-2010 sugere que os debris liberados em próteses de fêmur são responsáveis por danos à saúde de muitos pacientes.
São realizados aproximadamente 250 mil transplantes por ano apenas nos EUA, sendo que um terço das próteses são totalmente metálicas e destas, de 1 a 3% parecem estar causando problemas aos seus usuários devido aos efeitos dos debris. Isto significa entre 2.500 e 7.500 pessoas sofrendo pelo que certamente mostra uma deficiência dos estudos tribológicos feitos em laboratório ou em instalações piloto.
Estes tristes eventos requerem que firmemos uma posição intransigente quanto à necessidade de os ensaios de laboratório e em escala piloto serem feitos com repetições suficientes para se estabelecer a distribuição de falhas e se ter mais segurança sobre a variabilidade dos componentes frente às inevitáveis variações nos materiais e nos processos de fabricação. Fazer isto é lutar contra as economias e reduções de verba, contra a pressa irresponsável e contra os prazos burocraticamente impostos às atividades de pesquisa.
Também devemos nos posicionar para que em nosso país tenhamos centros com recursos, equipamentos e pessoas dedicados a avaliar em escala piloto o design, as variáveis de fabricação e os materiais empregados em próteses. E, sem dúvida, estimular estudos in vivo significativos e que possam ser desdobrados para humanos.
Por outro lado, aos pesquisadores em tribologia cumpre não estimular conclusões precipitadas e levianas dos fornecedores com a realização de ensaios de caracterização tribológica de materiais com conclusões como “ este ou aquele material é mais adequado ou mais resistente para próteses”. Precisamos nos conscientizar de que  no fim da linha há um ser humano que pode ter que ser submetido a uma nova cirurgia ou pode ter sua vida colocada em risco.
Amilton Sinatora

Uma resposta para Falhas tribológicas de próteses de fêmur

  1. […] da Escola Politécnica da USP. A questão de confiabilidade das próteses que abordamos no post Falhas tribológicas de próteses de fêmur poderão ser adequadamente investigadas com o equipamento desenvolvido ou, melhor, com uma bateria […]

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