Álcool combustível no Brasil – primeiros passos

A discussão sobre os efeitos do álcool nos motores de combustão interna e o envolvimento da comunidade científica no assunto inspiram a busca pelo que já foi feito pelos que nos antecederam. O livro “A saga do álcool” do jornalista J. Natale Netto (Editora. Novo Século 2007 343pp.) traz informações muito interessantes que resumo a seguir.
No final do século XIX, os carros (desde o Peugeot de Alberto Santos Dumont, o primeiro veículo importado em 1891) eram propelidos a álcool. Em 1903, na frota da capital federal (Rio de Janeiro), que incluía além do Peugeot, um Dacauville licenciado por Fernado Guerra Durval, mais seis veículos empregavam apenas alcool como  combustível!
O crescente uso de derivados de petróleo na iluminação e nos motores não impediu que o  presidente Rodrigues Alvez e o presidente da Sociedade Nacional de Agricultura – Antonino Fialho, que  acompanhava a tecnologia da época em decorrências de viagens pela Europa – fossem defensores do uso do ácool combustível, o qual consideravam um “produto limpo” diferentemente do querosene e do óleo de baleia.
Dois outros fatores foram importantes para o apoio ao uso do álcool como combustível. Os preços daqueles combutíves importados (com reflexos nas contas públicas) e a crise pela qual passava a indústria açucareira nacional.
As demandas pela substituição do querosene “importado do estrangeiro a bom dinheiro e que não tem as mesmas vantagens de higiene, duração e economia do álcool produzido em nossos engenhos” confluiram para a realização de uma exposição internacional de equipamentos nos quais o álcool poderia ser utilizado e do I Congresso das Aplicações Industriais do Álcool na então capital da república, em 18 de outubro de 1903. No evento foi realizada uma demonstração do uso do álcool nos automóveis.
Da exposição e do congresso decorreram recomendações ao governo para que as repartições públicas usassem álcool na geração de calor e na iluminação. A Marinha se comprometeu a aplicar este combustível na iluminação dos faróis da costa brasileira. Desenvolveu-se uma ampla campanha na imprensa pelo uso do “combustível iluminante, calorífico e motriz” e o clero instruiu aos seus seminários a inclusão de uma cadeira de Economia Rural no bojo da qual fosse vulgarizada as aplicações do álcool como combustível!
Para o Brasil, foi a primeira oportunidade (perdida!) para diminuir suas dívidas internacionas e desenvolver seu próprio comburente, uma vez que o uso do querosene somente se expandiu quando, apartir de 1912 passou a ser distribuido em tambores.
Amilton Sinatora
Referência
Os primeiros passos do alcool em nossa história, em “A saga do álcool”, J. Natale Netto (Editora. Novo Século 2007). Capítulo 3, páginas 47 a 59.

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