Físicos na indústria

Na edição deste mês da “Physics Today”, um artigo intitulado “Industrial R&D in transition” chamou bastante minha atenção.  Os autores R. Joseph Anderson and Orville R. Butler mostram um levantamento a respeito da colocação dos físicos no mercado de trabalho americano. Enquanto nos anos 70, metade dos físicos nos Estados Unidos estava no meio acadêmico, pouco mais de um terço estavam trabalhando na indústria. Esse número se inverteu nos anos 90, onde agora metade dos físicos está na indústria e um terço na academia, mostrando a grande importância da pesquisa de desenvolvimento dentro das indústrias.

Esse aumento no número de físicos na indústria tem um reflexo direto no volume de produtos com alto valor agregado fabricados naquele país, que sem dúvida leva a consideráveis aumentos no PBI. De fato, uma correlação entre o crescimento do PIB e da pesquisa em engenharia já foi sugerida.

Bom, e no Brasil? No Brasil, infelizmente a profissão de físico não é regulamentada, de modo que raramente as empresas têm físicos nos seus quadros funcionais. Além disso, a falta de política de pesquisa e desenvolvimento na grande maioria das empresas ajuda a perpetuar esse quadro. Sendo assim, a esmagadora maioria dos físicos no Brasil está na academia, e os que não estão, acabam batendo as asas para o exterior.

Um dos objetivos do INES é romper esse paradigma e atuar cooperativamente com diferentes setores produtivos do país, fazendo uma ponte entre a academia e o produto final. Mais ainda, é abrir novas perspectivas para a geração de tecnologias na área de engenharia de superfícies, que possam ser agregadas a produtos fabricados no Brasil. Com isso, podemos passar para um país com uma indústria verdadeiramente forte e competitiva, como já foi dito anteriormente nesse blog.

Por fim, fica a minha pergunta: Quando os físicos passaram a ser considerados profissionais de verdade no Brasil?

Abraços,

Gabriel

4 respostas para Físicos na indústria

  1. Amilton disse:

    Você colocou um tema importante em discussão. A presença de físicos nas empresas certamente diminui o tempo para aplicação do conhecimento.
    Uma contribuição do INES já implementada é a promoção do trabalho conjunto entre engenheiros e físicos.

  2. Gabriel Vieira Soares disse:

    Sem dúvida diminiu o tempo de aplicação. Esperamos fortemente que esse vazio entre engenheiros e físicos seja cada vez menor.
    Abraço,

  3. Tramita no Congresso Nacional o PLS 159/2005 que regulamenta a profissão de físico. Todos os pareceres das Comissões tem sido favoráveis. Vamos aguardar.

    • gccardoso disse:

      Existe mesmo necessidade de regulamentar a profissao de fisico no Brasil? Se a industria quiser contratar fisicos ela contrata. Só falta interesse por parte da industria. Isso surgiria caso sejam feitas parcerias universidade-industria onde a presença de um fisico leve a algum ganho por parte da industria. Ou existe algum outro aspecto legal no Brasil que eu nao conheco que impeça qualquer um de exercer atividade na industria?

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