O TRIBO-BR, um passo adiante e dois atrás?

17/12/2010

Está aberto o debate para a realização do Tribo-BR II.

Entre 24 e 26 de novembro de 2010 estiveram no Rio de Janeiro muitos integrantes da elite tribológica mundial.

Foi gratificante assistir uma apresentação de um jovem engenheiro, mestre pela UFES, empregando uma teoria de Zum-Gahr para explicar resultados experimentais com o Professor Zum-Gahr assistindo a apresentação! Também foi muito gratificante ver todas as sessões tomadas e ver todas as apresentações brasileiras e latino-americanas discutidas pelos importantes participantes.

Dos 104 participantes, 54 vieram de 25 países. Somados aos 8 palestrantes convidados (ver lista no post “Três ou mais razões para participar do TRIBO-BR“), tivemos um congresso com 50% de estrangeiros, o que é muito raro por aqui. Nos corredores e durante os intervalos das sessões foram muitas as parcerias estabelecidas ou reforçadas. As empresas presentes  trouxeram problemas técnicos interessantes e se motivaram com as apresentações feitas.

Pude constatar que nossos estudos são muito consistentes e bem formulados, assim como os dos colegas da Colômbia, e que refletem as características juvenis de nossa ciência. Ou seja, são bons trabalhos mas com limitações de técnicas e de permanência no tema, características compatíveis com os menos de 20 anos de tribologia no Brasil. O caminho é promissor, o que se vê ao analisar o histórico de participação dos nossos pesquisadores no congresso Wear of Materials que se dá há pouco mais de 10 anos!

Então por que dois passos atrás?

Os pontos que chamaram minha atenção e de colegas do exterior foi a ausência completa de alunos de graduação, pós graduação e de pós doutorandos. Também me preocupou a ausência de pesquisadores do Pará, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e dos muitos físicos que atuam em tribologia ou áreas correlatas. A explicação para isso é simples, o custo da inscrição.

A realização de um segundo TRIBO_BR foi diversas vezes sugerida. Entretanto, sua realização requer a resolução das questões acima e o envolvimento de jovens (e motivados) tribologistas na sua organização. Não realizar um segundo encontro colocará em questão a realização do primeiro. O TRIBO_BR II está aberto para o debate.

Amilton Sinatora


Falhas tribológicas de próteses de fêmur

08/04/2010
Um dos pontos fracos da tribologia no momento é o estudo do papel dos debris nos valores de taxa de desgaste e nos valores de coeficiente de atrito.
Recentemente, no Laboratório de Fenômenos de Superfície fizemos um experimento simples, varremos os debris da pista de desgaste e o valor do coeficiente de atrito despencou de 1,4 para 0,2 (no máximo) num ensaio esfera contra disco nitretado!
Quando o sistema tribológico tem uma aplicação biológica então, não apenas os valores do coeficiente de atrito e das perdas de massa devem ser considerados. É essencial saber o destino e o volume de debris formados. A reportagem do New York Times de 03-03-2010 sugere que os debris liberados em próteses de fêmur são responsáveis por danos à saúde de muitos pacientes.
São realizados aproximadamente 250 mil transplantes por ano apenas nos EUA, sendo que um terço das próteses são totalmente metálicas e destas, de 1 a 3% parecem estar causando problemas aos seus usuários devido aos efeitos dos debris. Isto significa entre 2.500 e 7.500 pessoas sofrendo pelo que certamente mostra uma deficiência dos estudos tribológicos feitos em laboratório ou em instalações piloto.
Estes tristes eventos requerem que firmemos uma posição intransigente quanto à necessidade de os ensaios de laboratório e em escala piloto serem feitos com repetições suficientes para se estabelecer a distribuição de falhas e se ter mais segurança sobre a variabilidade dos componentes frente às inevitáveis variações nos materiais e nos processos de fabricação. Fazer isto é lutar contra as economias e reduções de verba, contra a pressa irresponsável e contra os prazos burocraticamente impostos às atividades de pesquisa.
Também devemos nos posicionar para que em nosso país tenhamos centros com recursos, equipamentos e pessoas dedicados a avaliar em escala piloto o design, as variáveis de fabricação e os materiais empregados em próteses. E, sem dúvida, estimular estudos in vivo significativos e que possam ser desdobrados para humanos.
Por outro lado, aos pesquisadores em tribologia cumpre não estimular conclusões precipitadas e levianas dos fornecedores com a realização de ensaios de caracterização tribológica de materiais com conclusões como “ este ou aquele material é mais adequado ou mais resistente para próteses”. Precisamos nos conscientizar de que  no fim da linha há um ser humano que pode ter que ser submetido a uma nova cirurgia ou pode ter sua vida colocada em risco.
Amilton Sinatora

Atualização em temas importantes em tribologia: uma oportunidade em 2010

01/03/2010
Na discussão com diversas empresas montadoras de automóveis e alguns de seus fornecedores, verificamos que o entendimento da tribologia de motores a álcool precisa ser atualizado no Brasil. Esta atualização é essencial para superar os desafios tribológicos que os motores flex fuel tem que enfrentar.
O principal problema aparente é a corrosão. Este foi detectado no fim do século XIX e, no Brasil, nas primeiras décadas do século XX. Um dos pesquisadores que se destacou neste tema foi o Engenheiros Sabino de Oliveira, nos anos 30 professor da atual Escola Politécnica da USP.
Outros temas não são tão evidentes e não temos trajetória de pesquisa nos mesmos.
No congresso TRIBO BR (24 a 26 de novembro de 2010 no Rio Othon Palace no Rio de Janeiro) serão realizadas palestras sobre os seguintes temas nos quais temos muito a avançar aqui no Brasil:
  • O Dr. Ali Erdemir do Argonne National Laboratory,  Argonne, USA e o Prof. Steffan Jacobson, da Uppsala University, Sweden apresentarão os avanços de suas pesquisas recente sobre filmes resistentes ao desgaste bem como modelos para explicar seu desempenho.
  • O Prof. Hugh Spikes, Imperial College, UK desenvolve há muitos anos estudos sobre lubrificação e em especial sobre condições de lubrificação sob altas pressões locais. O Prof. Spikes tem feito grandes progressos nas técnicas de observação in situ das regiões lubrificadas empregando interferometria, documentando o comportamento dos lubrificantes através de discos transparentes de safira.
  • O Prof. Jean Michel Martin de l´Ecole Centrale de Lyon, France trará para a platéia brasileira os mais recentes avanços no entendimento do papel dos resíduos de desgaste nos valores do coeficiente de atrito e da intensidade do desgaste.
  • Da University of Karlsruhe, Germany o Prof. Karl-Heinz zum Gahr fará uma palestra de atualização sobre tribologia de cerâmicas, materiais cada vez mais importantes na indústria automotiva.
  • Por fim, o Prof. Kenneth Holmberg, do VTT, Finland deverá discutir como andam os modelos preditivos de desgaste. Afinal, para que servem nossos experimentos e modelos teóricos senão para entender como as coisas funcionam e poder prever seu desempenho na vida real?
Por isto a participação no TRIBO BR  é um passo importante na atualização dos tribologistas brasileiros em temas essencias para a tribologia de componentes automotivos.
Amilton Sinatora
Informações sobre o evento

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Revistas que publicarão os artigos
  • Lubrication Science ( incorporating  Journal of Syntetic lubrication and TriboTest)
  • International Journal of Surface Science and Engineering


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