Revestimentos metalúrgicos em San Diego

19/05/2011
coating

Revestimentos, tema da conferência. Em 2011, destaque para HIPIMS e abordagem tribológica.

Bom dia!

Participei, neste mês de maio, da International Conference on Metallurgical Coatings & Thin Films (ICMCTF) – uma experimentada conferência na área dos revestimentos metalúrgicos. As quase quatro décadas de existência do evento permitem que tenha uma excelente visão da pesquisa, desenvolvimento e inovação nesta área da engenharia de superfícies, devido à presença em quantidade e qualidade de profissionais e empresas do setor.

Fazia 10 anos que eu não participava desta conferência. Embora tenha caído a quantidade de participantes, 800 pessoas ainda é um número relevante quando pensamos na densidade de conhecimento resultante da participação de todos esses indivíduos.

A qualidade técnica e a intensidade da conferência são marcas registradas. Prova disso: a entrada é às 8:00 hs e a saída, às 18:00 hs, sem coffee break, com até 7 sessões em paralelo. Para aqueles que querem aproveitar cada minuto e dinheiro investido, ainda há palestras com lanches ao meio-dia, como, por exemplo, a palestra com um diretor da Elsevier e 5 editores de revistas importantes (Thin Solid Films, Surface&Coatings Technology, Vacuum, Applied Surface Science e Surface Science), o que não é pouca coisa.

Do ponto de vista técnico, HIPIMS continua sendo “a menina dos olhos” das tecnologias emergentes na área de processamento de superfícies por plasma. A conferência mostrou um volume importante de trabalhos com muitas sessões específicas. Porém o estado-da-arte ainda parece um pouco distante das aplicações industriais. Se o magnetron sputtering tradicional já é relativamente complexo, HIPIMS é exponencialmente mais dependente das variáveis que o seu predecessor.

Além disso, as sessões de tribologia aumentaram, e muitos trabalhos são focados a partir dessa abordagem. Aliás, os trabalhos mais impactantes, do meu ponto de vista, foram os tribológicos in situ. As sessões de DLC não possuem mais CNx e estão quase concentradas nas aplicações com pouco trabalho básico. Por último, as palestras-review foram muito boas para ver a linha do tempo de muitas tecnologias, técnicas e materiais que trabalhamos no dia-a-dia.

No workshop industrial não vi muita coisa nova (só inovação incremental), mas me chamou a atenção um espectrômetro de massas de alta velocidade de resposta, enxuto e portátil, da Brooks Automation, o qual não opera com o princípio físico tradicional do campo elétrico de um quadrupolo e sim por um campo elétrico que faz entrar os íons em ressonância para obter o sinal.

Finalmente, a comida mexicana e o contexto do estado da Califórnia dão um toque particular a esta conferência.

Carlos A. Figueroa


Que dureza! Qual dureza?

17/03/2011

"The Hardness of Metals", "obra original e instigante". Clique na imagem para olhar o livro no site da Amazon.

Ensinar é, frequentemente, reconhecer os erros. No ensino de pós-graduação, especialmente, onde lidar com conhecimento não estabelecido faz parte do dia-a-dia, os mea culpa são para mim mais e mais frequentes.

Um deles refere-se ao modelo de Bowden e Tabor (The friction and Lubrication of Solids) para o coeficiente de atrito. Neste modelo, os autores usam um conceito no qual o efeito da força normal aplicada é relacionado com a área real de apoio por meio da dureza. Por isso, o aumento da força leva (no campo plástico) ao aumento linear da área. O que tenho ensinado é que, “evidentemente” (!), isso se deve ao fato de que dureza é  a força dividida pela área projetada.

E, se tudo é tão “evidente”, onde está o erro?

Uma breve reflexão sobre a definição de dureza Brinell nos mostra que a força aplicada é dividida pela área da calota esférica formada e não (NÃO) pela área projetada. Se o modelo de Bowden e Tabor não considera a dureza Brinell, “então está tudo errado”?

Nem tudo está perdido, felizmente. O belo livro de  Tabor The hardness of Metals nos apresenta a solução para o raciocínio sobre dureza que eu uso nos cursos, a dureza Meyer.  Nessa escala de dureza, a força aplicada é dividida pela área projetada, para a minha sorte!

Ufa, o erro já foi transformado em omissão do sobrenome da dureza. Dizer apenas que a elevação da força (no campo plástico) resulta no aumento linear da área não está exatamente errado, está “apenas” incompleto.

Ou seja, vou poder continuar falando o que sempre falei nos cursos, o aumento da força normal aplicada levará a um aumento linear da área de contato. Só que, de hoje em diante, terei embasado a afirmação em um conhecimento estabelecido e não na aquiescência (generosidade) dos alunos diante da minha liberdade de linguagem e, prometo, farei referência explicita à dureza Meyer.

Por esta e por outras, como por exemplo a excelente análise sobre área real de contato que Tabor faz no último capítulo do livro, é que recomendo a leitura desta obra original e instigante, The Hardness of Metals.

Amilton Sinatora

Referências

Tabor. D., The Hardness of Metals, Oxford Classic Texts in the Physical Sciences, 1951 (Ed. 2000).
Bowden, F.P., Tabor, D. The friction and Lubrication of Solids. Oxford Classic Texts, 1950-1954 (Ed. 2008)


Jubileu de prata da nitretação iônica no Brasil – parte 2

28/01/2011
primeiro artigo sobre nitretação

Primeiro artigo publicado em revista nacional (Metalurgia, da ABM) sobre nitretação iônica, em 1991: repercussão na indústria.

primeiro equipamento nitretação

Primeiro equipamento de nitretação iônica construído na UFRN em 1985.

Gostaria de resgatar mais alguns dados históricos da nitretação iônica que tiveram importância na disseminação da técnica no Brasil, bem como seu desdobramento para o uso do plasma em outras aplicações industriais.

Em 1989 aconteceu o  I Seminário Brasileiro de Materiais Resistentes ao Desgaste, promovido pela ABM com apoio da Escola Politécnica – USP. Esse foi o primeiro palco de discussão da técnica para um público constituído por estudantes, pesquisadores e profissionais da indústria nacional. Lembro-me que nesse fórum apresentei um trabalho intitulado: “Desenvolvimento de um sistema para nitretação iônica”, no qual apresentei resultados ainda preliminares em aços inoxidáveis e aço carbono. Esse trabalho abriu discussões e motivou uma aproximação com profissionais de indústrias nacionais como a Ermeto S.A., Cofap e Brasimet.

A primeira possuía um problema bem definido, que consistia na nitretação de anilhas de aço inox, usada para engate rápido, recentemente desenvolvida pela empresa. Essas anilhas necessitavam “cravar” uniformemente, quando apertadas contra as paredes de um tubo de inox, para vedar saídas de fluídos. Quando as mesmas eram nitretadas por banho de sais, apresentavam camadas irregulares, inviabilizando a vedação. Com a nitretação iônica foi possível solucionar esse problema. Isso motivou a construção, pela empresa, de um protótipo com capacidade para nitretar 1500 peças/batelada.  O reator foi desenhado, construído e montado em Jundiaí. A fonte, de 40 kW, também foi desenvolvida na própria empresa. Participei como consultor na montagem e testes preliminares. Os testes foram positivos, necessitando de pequenos ajustes no sistema de refrigeração, quando necessitava usar mais de 40% da capacidade de potência. Infelizmente, por questões econômicas, o projeto foi abortado e a consolidação do primeiro equipamento industrial genuinamente nacional não ocorreu.

As empresas Cofap, representada na época pelo eng. Jan Vatavuk, e a Brasimet, representada pelo eng. João Vendramin, tiveram também uma participação importante na disseminação da técnica no Brasil. Foram eles que “costuraram” a vinda, em 1994, do primeiro equipamento industrial de nitretação, o qual foi adquirido pela Brasimet. Também nesse período foi adquirido outro equipamento semi-industrial pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), tendo o Prof. Carlos Pinedo e esses engenheiros como principais articuladores de um evento que reuniu mais de 70 engenheiros de empresas para divulgar o serviço disponível naquela instituição.

Nesse período (90-94) aconteceram muitos fatos importantes também na academia. O DEMa-UFSCar construiu um equipamento de plasma pulsado, que era parte do tema do meu doutorado. Mais dois equipamentos semelhantes foram em seguida construídos para a EESC-USP e DF-UFSCar. Por outro lado, a UFSC produzia grande número de teses e dissertações, algumas delas desenvolvidas em empresas como Embraco e Lupatech, que resultaram em parcerias com a indústria e disseminaram novos grupos de pesquisa. A UFRGS produzia trabalhos com base na implantação iônica de nitrogênio em aços, o que culminaria na área de nitretação iônica. Também outras instituições que possuíam facilidades para o desenvolvimento de pesquisas em plasma, como fontes de alta tensão, sistemas de vácuo, espectrômetros de emissão, entre outras, passaram a desenvolver pesquisas na área. Esses são os casos do ITA-INPE (São José dos Campos), Unicamp e USP-SP.

Atualmente a técnica está completamente disseminada no país, com 4 grupos na região nordeste, 1 na região centro-oeste, 15 na região sudeste e 10 na região sul, que formam os pilares para aplicação da tecnologia de plasma em diferentes aplicações.

Clodomiro Alves Junior
Professor titular – UFRN

Veja a parte 1 de “Jubileu de prata da nitretação iônica no Brasil”


Tribo Flex – um ano de tramitação na Fapesp

07/01/2011

Tribo Flex: reuniões mensais enquanto o projeto tramita.

No dia 23 de dezembro de 2010 completou um ano a tramitação do projeto de Tribologia de Motores Flex Fuel na FAPESP.

Nem sim nem não, mas a resposta da FAPESP já não é o que mais importa neste caso. Quando um projeto de inovação que congrega empresas do porte da GM, PSA, RENAULT, VW, MAHLE, PETROBRAS, FPT e três universidades paulistas tramita por um ano (pelo menos), fica evidente que há algo errado no sistema de P&D do Estado de São Paulo.

Uma negação expedita, digamos até abril do ano que finda, nos deixaria à vontade para recorrermos ao governo federal em busca de apoio. As sucessivas protelações nos trouxeram ao fim do mandato presidencial com conseqüente troca de postos nos órgãos federais, o que nos tolheu possibilidades de buscar ajuda no segundo semestre de 2010. Certamente, no início de 2011, quando as posições de mando nos órgãos federais estiverem estabelecidas, voltaremos a negociar neste âmbito.

Apesar da morosidade na tramitação, temos mantido reuniões mensais e conseguido fundos para o projeto. A PETROBRAS financiou um tribômetro multiuso adequado à avaliação de lubrificantes e de produtos de combustão que permitirá avanços experimentais ainda no primeiro semestre de 2011. Ao mesmo tempo, alguns dos temas do projeto vão avançando lentamente com verba de outros financiamentos ou com bolsas da mesma FAPESP. Transmitimos seguidamente às empresas que não se trata de descaso nem de desinteresse do governo paulista em apoiar o estudo da tribologia de motores FLEX, uma vez que há muitos usineiros no governo e todos interessados em expandir o uso do álcool combustível.

Ao mesmo tempo que sabemos dizer o que talvez não seja a causa, não sabemos dizer qual é a mesma. Pelo sim, pelo não ou ao menos para mudar de ares, a próxima reunião será dia 27 de janeiro em Curitiba, terra de RENAULT, na Universidade Técnica Federal do Paraná. Com isso avançaremos no caráter nacional de projeto, o que talvez nos permita recorrer com mais propriedade ao financiamento federal.

Amilton Sinatora


O TRIBO-BR, um passo adiante e dois atrás?

17/12/2010

Está aberto o debate para a realização do Tribo-BR II.

Entre 24 e 26 de novembro de 2010 estiveram no Rio de Janeiro muitos integrantes da elite tribológica mundial.

Foi gratificante assistir uma apresentação de um jovem engenheiro, mestre pela UFES, empregando uma teoria de Zum-Gahr para explicar resultados experimentais com o Professor Zum-Gahr assistindo a apresentação! Também foi muito gratificante ver todas as sessões tomadas e ver todas as apresentações brasileiras e latino-americanas discutidas pelos importantes participantes.

Dos 104 participantes, 54 vieram de 25 países. Somados aos 8 palestrantes convidados (ver lista no post “Três ou mais razões para participar do TRIBO-BR“), tivemos um congresso com 50% de estrangeiros, o que é muito raro por aqui. Nos corredores e durante os intervalos das sessões foram muitas as parcerias estabelecidas ou reforçadas. As empresas presentes  trouxeram problemas técnicos interessantes e se motivaram com as apresentações feitas.

Pude constatar que nossos estudos são muito consistentes e bem formulados, assim como os dos colegas da Colômbia, e que refletem as características juvenis de nossa ciência. Ou seja, são bons trabalhos mas com limitações de técnicas e de permanência no tema, características compatíveis com os menos de 20 anos de tribologia no Brasil. O caminho é promissor, o que se vê ao analisar o histórico de participação dos nossos pesquisadores no congresso Wear of Materials que se dá há pouco mais de 10 anos!

Então por que dois passos atrás?

Os pontos que chamaram minha atenção e de colegas do exterior foi a ausência completa de alunos de graduação, pós graduação e de pós doutorandos. Também me preocupou a ausência de pesquisadores do Pará, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e dos muitos físicos que atuam em tribologia ou áreas correlatas. A explicação para isso é simples, o custo da inscrição.

A realização de um segundo TRIBO_BR foi diversas vezes sugerida. Entretanto, sua realização requer a resolução das questões acima e o envolvimento de jovens (e motivados) tribologistas na sua organização. Não realizar um segundo encontro colocará em questão a realização do primeiro. O TRIBO_BR II está aberto para o debate.

Amilton Sinatora


Status da engenharia de superfícies por plasma

14/10/2010

PSE2010 abordou temas quentes da engenharia de superfícies por plasma: DLC para eficiência de motores e tecnologia HIPIMS.

Na segunda semana de setembro deste ano participei da XII International Conference on Plasma Surface Engineering na Alemanha.

Esta tradicional conferência sobre engenharia de superfícies por plasma apresentou dados importantes, como um aumento de 80 % no número de participantes, com uns 1.400 participantes no total. Esse dado mostra, no mínimo, o incremento do interesse mundial na área – e que a Kongresshaus de Garmisch-Partenkirchen (sede do evento) está ficando pequena.

A plenária trouxe um tema de relevância mundial: os revestimentos de ultra-baixo atrito (DLC, neste caso) para aumento da eficiência de motores de combustão interna e redução de emissões de efeito estufa. Ministrada por um profissional da BMW, a palestra mostrou que a empresa já está aplicando esses revestimentos nas suas novas linhas de carros.

Entre os destaques da conferência, pode ser dito que a tecnologia HIPIMS (High Power Impulse Magnetron Sputtering) está em alta, para não dizer na moda, e que as aplicações do plasma em materiais para sistemas biológicos representam uma das áreas mais quentes do momento em qualidade e quantidade de trabalhos apresentados.

Como sempre acontece nesta conferência, a presença do setor industrial europeu da área foi maciça e potente. Porém, chamou a minha atenção uma empresa indiana que fabrica equipamentos de revestimentos duros por plasma, inclusive com eletrônica e magnetrons próprios, o que indica um alto nível de nacionalização da tecnologia na área. (Aqui no Brasil ainda não existem empresas que tenham feito magnetrons de porte industrial).

O próximo encontro  será de 10 a 14 de setembro de 2012 na clássica estação de esqui alemã.

Um abraço,

Carlos A. Figueroa


Jubileu de prata da nitretação iônica no Brasil

10/09/2010

Pesquisa em nitretação iônica no Brasil: 25 anos.

Há exatos 25 anos estávamos iniciando, nas universidades brasileiras, as primeiras pesquisas em nitretação por plasma.

De uma maneira simultânea e isolada, estudava-se esse tema nas Universidades Federal de Santa Catarina (UFSC) e Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Enquanto a UFSC tinha uma preocupação mais científica do processo como diagnóstico do plasma de N2-H2 e nitretação em pós-descarga, a UFRN desenvolvia pesquisas aplicadas como nitretação em aços carbono, aços inoxidáveis e aços ferramenta.

Este marco foi muito importante para o Brasil não apenas pelo fato em si, mas também pelo seu desdobramento. Foi a primeira vez que a tecnologia de plasma aproximou-se efetivamente das indústrias nacionais. Até então as pesquisas nessa área estavam reduzidas ao estudo da fusão nuclear através de confinamento magnético (Tokamak),  cujo tema estava não interessava às indústrias.

A década de 90 foi um período de efervescência e consolidação do processo no Brasil. Isso aconteceu através da participação de várias empresas em pesquisas nas universidades (ERMETO, COFAP, LUPATECH, entre outras) e a aquisição de equipamentos comerciais por parte da empresa Brasimet e de uma empresa incubada da Universidade de Mogi das Cruzes – SP. Nesse período nuclearam-se vários grupos de pesquisa, atingindo atualmente um número superior a 60 equipamentos de plasma sendo utilizados sinergicamente para desenvolver diversas pesquisas em tecnologia de plasma.
Esse sinergismo ocorrido no Brasil a partir das pesquisas em nitretação iônica a credencia como a principal propulsora da formação do fantástico quadro de laboratórios, pesquisadores e empresas envolvidos com a área.
Para comemorar esse jubileu de prata, estou disponibilizando, através do canal de apresentações e documentos do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies,  um livro que escrevi no final da década de 90, no qual estão contidos os fundamentos do plasma, evolução histórica e grandes desafios do processo de nitretação iônica, bem como exemplos de outros processos a plasma.

Clodomiro Alves Junior


Plasma: física, engenharia e spin-offs

03/09/2010

Tratamentos de superfícies a plasma: competência do Instituto.

No passado mês de agosto participei do III Encuentro de Jóvenes Investigadores de Materiales, realizado em Concepción del Uruguay (Entre Rios – Argentina).

Além de fazer uma apresentação técnica sobre engenharia de superfícies por plasma, participei de uma mesa redonda sobre transferência tecnológica, onde comentei a minha experiência com spin-offs acadêmicas, entendidas aqui como empresas criadas a partir da vontade de pesquisadores ou estudantes de transformar em produtos e serviços pessoalmente as pesquisas e o conhecimento desenvolvido na universidade.

A criação de empresas de base tecnológica é, de fato, um dos mecanismos possíveis de transferência - uma alternativa a transferir a tecnologia para empresas já existentes.

Universidades com excelência acadêmica como a de Stanford e o MIT estão entre as principais geradoras de spin-offs acadêmicas, como ilustram os exemplos do professor Langer e de Page e Brin que coloquei nos meus slides (como são poucos, insiro aqui a apresentação):

No âmbito do nosso Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies, participo junto a alguns estudantes de uma spin-off de engenharia de superfícies por plasma, a Plasmar Tecnologia. O primeiro serviço que oferecemos foi a nitretação a plasma, tema que estudei no meu doutorado na Unicamp. Além de quatro estudantes da UCS, a Plasmar atraiu um doutor formado pela Universidade de Birmingham (berço da engenharia de superfícies) que veio morar aqui em Caxias do Sul e lidera as atividades de P&D da empresa.

Após a apresentação no painel em Concepción del Uruguay, percebi o interesse e vontade de muitos estudantes da área de Materiais de se aproximar de pesquisas mais aplicadas e, mais do que isso, de montar um empreendimento de base tecnológica. É muito importante que as instituições e professores não apaguem a chama desses estudantes, criando as devidas condições de trabalho que favoreçam a criação de empreendimentos de base tecnológica.

Ainda no evento dos jovens pesquisadores, fiquei sabendo do sítio web do Instituto de Física del Plasma, centro de pesquisa em plasma ligado ao CONICET (o principal órgão governamental de promoção da ciência e tecnologia na Argentina) e à UBA (a Universidade de Buenos Aires). O site tem bastante informação de qualidade sobre física do plasma, como as informações sobre descarga de gases e eletrodinâmica de fluidos parcialmente ionizados.

Até a próxima e bom feriadão!

Carlos A. Figueroa


Erosão, natureza e reflexões mais amplas

20/08/2010
Erosão do Solo

Grand Canyon, o mais espetacular “gasto por erosão” do planeta

É a forma de desgaste provocada pela ação de partículas duras incidentes sobre um sólido, carreadas ou não por um fluido.

A definição acima se aplica à ação dos  minérios nos chutes, nos dutos, no transporte de minérios ou de grãos de cereais e também se aplica adequadamente às formas mais espetaculares de erosão que conhecemos, a erosão na natureza.
A lua, que incorpora tanta simbologia, traz marcas indeléveis da incidência de “partículas”, no caso, os meteoros. Eles podem vir solitários como num “ensaio” mono-evento ou em nuvens. As condições peculiares da lua, em especial o vácuo, fazem com que as marcas de desgaste permaneçam para serem observadas. Em algumas delas é possível ver a interação de dois eventos, as crateras nas quais houve incidência de outro meteoro, evento raro e muito ilustrativo para os estudiosos do fenômeno na engenharia.
No grand canyon temos um dos mais espetaculares “gastos por erosão” do planeta. Neste, os abrasivos são carregados pela água do rio Colorado e as rochas mais duras da cabeceira do rio desgastam as mais moles rio abaixo, produzindo uma superfície de desgaste que é um fantástico cartão-postal.
Esta forma de erosão é a responsável pelos belos canyons do rio São Francisco entre Paulo Afonso e a barragem do Xingó, entre Piranhas (Alagoas) e Canindé (Sergipe). O assoreamento natural decorrente deste fenômeno muda o curso das águas e, como sabemos, é fortemente assistido em alguns lugares pela irresponsável destruição das matas ciliares e, como no parque Nacional da Chapada Diamantina,  pela mineração ilegal e irresponsável de diamantes.
Os exemplos de erosão causados pela propulsão de partículas pelo vento também são abundantes. No Paraná temos o parque Nacional de Vila Velha, onde a paisagem foi esculpida pelo vento do planalto resultando na fragmentação das rochas na forma de areia.
O conhecimento do mecanismo de desgaste visa nestes casos menos a predição de vida do que a reflexão sobre nossas atitudes e destino, tão bem expressa por Bob Dylan no trecho da sempre atual “Blowing in the Wind…”
“Yes, and how many years can a mountain exist,
Before it’s washed to the seas (sea)
Yes, and how many years can some people exist,
Before they’re allowed to be free?
Yes, and how many times can a man turn his head,
Pretending that he just doesn’t see?
The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind”
Amilton Sinatora

Três ou mais razões para participar do TRIBO-BR

12/08/2010

Congresso Internacional de Tribologia, o TRIBO-BR, será realizado em novembro no Rio e recebe artigos até 30 de agosto.

Nos dias 24, 25 e 26 de novembro será realizado o Congresso Internacional de Tribologia, o TRIBO-BR. Caso participar de um evento de tribologia com 6 plenary speakers extremamente competentes,  ter seu trabalho publicado em revista bem conceituada internacionalmente, debater com colegas de profissão e visitar o Rio de Janeiro no início do verão não sejam razões suficientes, elenco abaixo mais algumas.

  1. Para engenheiros que atuam em mineração e siderurgia sempre ocupados em aumentar a vida e o tempo útil de funcionamento dos incrivelmente valiosos ativos de suas empresas, a participação do Prof. Steffan Jacobson da Universidade de Uppsala na Suécia deveria justificar a inscrição e participação no congresso. O Prof. Jacobson fará uma apresentação plenária sobre abrasão, forma de desgaste dominante em muitos dos equipamentos importantes destas empresas, como moinhos, caçambas, pás, carregadeira, chutes de minério, correias, estações de pelotização e sinterização, entre outros. Não bastasse esta presença ilustre, o autor do livro mais importante sobre abrasão, Microstructure and wear of materials, o Prof. Karl-Heinz Zum Gahr, também estará presente ao evento. Da mesma forma, os colegas acadêmicos que interagem com empresas deste setor como a VALE, PETROBRAS, SAMARCO, GERDAU, CSN, USIMINAS, entre outras, terão uma oportunidade de atualizar seus conhecimentos.
  2. Já os colegas que atuam junto a indústrias de tratamentos térmicos ou de tratamentos de superfície poderão refrescar seus conhecimentos nas palestras dos pesquisadores Dr Ali Erdemir, do Argonne National Laboratory nos Estados Unidos, e do professor Kenneth Holmber, do VTT na Finlândia. Estes pesquisadores apresentarão os mais recentes avanços nos tratamentos superficiais dos materiais. É de se esperar que empresas como a Balzers, a Brasimet, a HEF e a HAUSER, entre outras, venham a usufruir dos benefícios diretos ou via pesquisadores nacionais destas insignes visitas.
  3. Por fim, as apresentações dos professores Hugh Spikes, do Imperial College na Inglaterra, e Michel Martin, da Ecole Centrale de Lyon, trarão conhecimentos atuais sobre lubrificantes e lubrificação de interesse das empresas de rolamento, como INA, FAG, SKF, NSK, bem como para fabricantes de engrenagens e redutores – equipamentos nos quais (e da mesma forma que nos rolamentos), a lubrificação limítrofe e elastohidrodinâmica é essencial.
Por tudo isto levamos até 30 de agosto próximo a data para entrega de trabalhos completos para o evento e convidamos todos os pesquisadores e colegas do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies em particular a participar do evento.
Amilton Sinatora

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