O início dos semestres é (embora os alunos não acreditem) sempre estressante para os professores. Se não é estressante para todos, certamente é estressante para mim, mesmo ministrando o “mesmo curso” de Materiais para Engenharia Mecânica há quase 25 anos e Introdução à Tribologia há quase vinte.
Volta às aulas. Nova bibliografia em tribologia. Volta aos posts.
29/07/2010Publicar ou perecer (3). Por que NÃO publicar? – Leonardo da Vinci
28/05/2010Meu colega o Prof. Deniol K. Tanaka e eu tivemos o privilégio de discutir por mais de uma vez o papel do artista Leonardo da Vinci na tribologia, em especiar suas contribuições no estudo do fenômeno de atrito e seus estudos sobre desgaste.
Mais recursos para reduzir atrito em motores de combustão externa
12/02/2010Otimizar o projeto de componentes, engrenagens, anéis, camisas e pinos é um caminho arduamente perseguido pelos engenheiros de projetos de motores para reduzir o atrito. Os químicos concentram-se no desenvolvimento de óleos cada vez menos resistentes ao movimento. Os que se dedicam à engenharia dos materiais buscam novos revestimentos com baixo atrito.
No curso do professor Etsion, ministrado entre 2 e 5 de fevereiro de 2010 no Departamento de Engenharia Mecânica da USP, explorou-se um outro recurso, a texturização das superfícies. O pesquisador relatou sua vasta experiência na texturização por laser de selos mecânicos, mancais e anéis de pistão de motores de combustão interna. Mostrou resultados de até 4% de economia de combustível obtidos apenas com a texturização parcial dos anéis. Mais do que isto, o pesquisador, apresentou para os 40 participantes de 9 empresas e 3 instituições os fundamentos que permitem explicar e modelar os fenômenos causados pela texturização.
Com isto ganha a engenharia de superfícies no Brasil que encontrou neste curso apoio para acelerar suas contribuições à redução de atrito empregado esta técnica. Para saber mais veja o programa do curso e a bibliografia de cada aula…
Amilton Sinatora
Os motores flex e o livro de Bowdem e Tabor. Procuram-se candidatos para a pesquisa!
26/11/2009Tribologia no 29o SENAFOR
04/11/2009Três demandas globais e a tribologia
15/09/2009Existem três grandes demandas mundiais que orientam políticas e, conseqüentemente, o desenvolvimento técnico: economia de energia, proteção do meio ambiente e melhoria do bem estar dos idosos. Elas fazem frente a três contingências do desenvolvimento da humanidade: uma insaciável demanda por energia, a degradação desenfreada do meio ambiente e o progressivo envelhecimento da população em todo o mundo.
Tribologia brasileira no cenário mundial – parte 1
12/08/2009Fundar uma divisão técnica de tribologia na Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM) e realizar um grande congresso internacional de tribologia em dezembro de 2010 foram as principais decisões dos pesquisadores de tribologia no 64o Congresso Anual da ABM realizado em Belo Horizonte de 12 a 17 de julho passado em encontro organizado pelo Professor José Daniel Biasoli de Mello.
O Professor de Mello, indicado para ocupar a direção da Divisão Técnica de Tribologia da ABM, trouxe o comprometimento de alguns dos mais renomados tribologistas do mundo com a realização do congresso de 2010, entre eles Ian Hutchings, autor de conhecido livro na área. Este comprometimento advém, segundo de Mello, da participação cada vez maior de pesquisadores nacionais em fóruns de tribologia como o congresso bianual Wear of Materials com contribuições técnicas de qualidade.
A realização do congresso associada à publicação de um número especial da revista WEAR com os melhores trabalhos do congresso deve atrair grande número de pesquisadores do Brasil e da América Latina impulsionando o desenvolvimento e a organização da tribologia por aqui.
A participação do nosso Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies, o INES, no congresso de 2010 deverá ser expressiva uma vez que parte significativa dos revestimentos desenvolvidos por nossos pesquisadores destina-se a reduzir o coeficiente de atrito ou fornecer proteção contra desgaste prematuro de componentes.
Amilton Sinatora
Sobre a engenharia de superfícies
07/08/2009A engenharia de superfícies é usada em larga escala nos sistemas produtivos de países com altos índices de desenvolvimento industrial. Trata-se da tecnologia de preparação e modificação das superfícies de componentes de engenharia para cumprir funções específicas dentro de uma aplicação, em geral sem modificar significativamente as dimensões dos componentes para a aplicação projetada. Ela promove avanços tecnológicos que produzem soluções eficazes na vanguarda de diversos segmentos industriais.
Praticada empiricamente há milênios pelo homem, a consolidação da engenharia de superfícies como tecnologia – prática com base na ciência – ainda hoje é dificultada pelo conhecimento limitado da Físico-Química das superfícies e interfaces sólidas. Essas têm comportamento completamente diferente e muito mais complexo do que o do volume (bulk, em inglês) dos sólidos. Confirmando isso, o Prêmio Nobel de Química em 2007 foi concedido a Gerhard Ertl, um especialista em fenômenos físico-químicos de superfícies. A frase de Wolfgang Pauli, “God made solids, but surfaces were the work of the Devil. …”, continuará justificando esforços para compreender e controlar as superfícies. Conseqüentemente, a investigação das superfícies e interfaces sólidas e suas aplicações continuarão sendo vanguardas da Físico-Química por muito tempo.
A engenharia de superfícies permite, por um lado, a síntese de superfícies com propriedades benéficas inusitadas. Por outro lado, o conhecimento científico e o controle dos processos são ainda insuficientes. Um exemplo, escolhido ao acaso entre inúmeros outros, ilustra bem: sabemos há dez anos que componentes de engenharia aeroespacial com revestimento nanolaminado TiN/Ti, ou seja um revestimento compósito de espessura total de aproximadamente 1 a 4 micrometros, formado mediante superposição de 100 a 800 bicamadas de filmes finos do tipo TiN/Ti, com espessura típicas de 5 a 8 nanometros cada bicamada, apresentam propriedades mecânicas e tribológicas muito superiores se comparados com os mesmos componentes revestidos com uma única bicamada TiN/Ti com a mesma espessura total de 1 a 4 micrometros. Entre outras propriedades excepcionais, destacam-se:
a) ultra-dureza – dureza superficial até três vezes maior;
b) redução de atrito – coeficiente de atrito até 10 vezes menor;
c) ultra-adesão – força de adesão ao componente de engenharia, em trabalho, até 10 vezes superior.
Esses ganhos inusitados permitem conceber aplicações impensáveis até recentemente na engenharia aeroespacial, automotiva, de instrumentação biomédica e odontológica. Em particular, esses revestimentos não alteram significativamente as dimensões dos componentes de engenharia para a maioria das aplicações. Porém, esses benefícios não são obtidos sistematicamente para qualquer tipo de componente, assim como nem sempre as três propriedades acima são melhoradas na mesma aplicação. Nesse caso, como em inúmeros outros, ainda não temos uma explicação plausível para o fenômeno e nem para a sua escassa reprodutibilidade, o que limita a aplicação de tão importante descoberta. A inserção progressiva dessa tecnologia em sistemas produtivos industriais de grande porte em operação no país agrega valor inquestionável aos produtos pela via da inovação tecnológica, assim como fomenta o surgimento de novos processos, produtos e empreendimentos.
Saudações,
Israel
Coeficiente de Atrito Ultra Baixo entre Cerâmicas
20/07/2009Uma das perspectivas interessantes para diminuir o coeficiente de atrito é empregar, em sistemas móveis, cerâmicas lubrificadas com água. Todo mundo ganha com isto, especialmente o meio ambiente. Economiza-se energia devido ao baixo coeficiente de atrito e como água e cerâmicas são totalmente reaproveitáveis, ganha o meio ambiente.
Pesquisadores americanos, japoneses e europeus vêm, desde 1985 aproximadamente, obtendo valores muito baixos de coeficiente de atrito, na faixa de 0,008 a 0,002 em laboratório, empregando as cerâmicas SiC (carboneto ou carbeto de silício) ou Si3N4 (nitreto de silício). Em outras palavras, quando os pesquisadores esfregavam SiC contra SiC ou Si3N4 contra Si3N4 as forças de atrito eram de duas o oito mil vezes menores do que a força aplicada sobre as cerâmicas. As causas deste fenômeno não foram elucidadas até hoje.
Por isto em 2002 iniciamos um trabalho de doutorado conduzido pelo engenheiro Vanderlei Ferreira, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, buscando entender o que causa um coeficiente de atrito tão baixo.
Nosso trabalho se concentrou no estudo do atrito entre Si3N4 e Al2O3 (alumina) e, após cinco anos de trabalho, obtivemos valores de coeficiente de atrito iguais aos de nossos colegas do exterior. Atualmente são quatro os grupos de pesquisa no mundo obtendo valores nesta faixa de valores e somos os primeiros a conseguir estes resultados com cerâmicas dissimilares. Acreditamos que interações elétricas na interface entre as cerâmicas é o que causa tão baixo coeficiente de atrito.
Continuamos estudando o assunto com uma motivação extra. Pesquisas realizadas na década de 1990 mostraram que, no sistema que estudamos, não seria possível obter valores tão baixos de coeficientes de atrito. Somente conseguimos os resultados por termos extrapolado as condições experimentais dos pesquisadores que nos antecederam. Se vocês querem mais informações consultem http://www.teses.usp.br/ e procurem pelo nome Vanderlei Ferreira.

Escrito por Amilton Sinatora 
