Encontrar o Professor Evandro Mirra é sempre uma oportunidade para ampliar os horizontes. Desta vez, em Ouro Preto em 6 de maio, não foi diferente. Pude contar ao colega as duas viagens que fiz em decorrência da leitura do seu livro “A Ciência que sonha e o verso que investiga”.
Publicar ou perecer (2) Por que publicar? – A divulgação científica.
21/05/2010Memorando Cosan-Shell: mais um passo na história do álcool motor no Brasil
19/02/2010O memorando de entendimento firmado em 01-02-2010 entre a Cosan e a Shell visando a formação de uma joint venture para se “posicionarem em condições mais sólidas para crescimento e rentabilidade na área de biocombustíveis sustentáveis” é mais um passo na trajetória épica do uso do álcool como combustível no Brasil.
A Cosan tem capacidade de produção de 2 bilhões de litros de etanol por ano em 23 usinas, dispõe de uma rede de distribuição de 1.730 postos de combustível e, passados quase 100 anos, segue uma trajetória aberta por usineiros nordestinos no século passado.
Duas tentativas marcaram os primeiros passos da comercialização do álcool combustível. A USGA, combustível cuja elaboração foi iniciada na Usina Serra Grande em Alagoas, agregava ao etanol 20% de éter e 0,5% de óleo de rícino e foi comercializada em Pernambuco e Alagoas. Seu lançamento oficial em frente ao prédio do Diário de Pernambuco no centro do Recife inaugurou a “primeira bomba para comercialização de um combustível nacional em todo o Brasil” em 23 de junho de 1927. O Álcool-Motor Catende, desenvolvido na usina Catende em Pernambuco, alcançou, mais tarde, a preferência dos motoristas em todo o Nordeste, sendo exportado para estados de outras regiões do país.
Essas iniciativas não vingaram pois as circunstâncias econômicas não eram favoráveis e os obstáculos eram muito grandes. Um deles, a agressividade do álcool às parte metálicas dos motores, continua sendo um fator técnico a ser considerado ainda hoje. O outro, a oposição dos produtores de gasolina, na época representados pela Great Western Brazil Railway, parece não mais ser importante, como sugere o memorando firmado.
No início do século XX, os precursores com seus produtos de nomes pitorescos (Motogas, Nortina, Nacionalina, Motorina, Nog, Azulina, USGA e Álcool-motor Catende) não podiam sonhar com a abrangência de distribuição dos 1.730 postos da Cosan e os 2.740 da Shell. Abismados também ficariam os pioneiros de Minas Gerais que desenvolveram a Vigelina a partir de álcool de madeira se soubessem dos recursos da Iogen, empresa especializada na biotecnologia do etanol celulósico da qual a Shell detém 50% de participação e que faz parte do futuro negócio Cosan-Shell.
Que os novos tempos e novas formas de fazer negócios colaborem para o sucesso no emprego do álcool como forma de mitigar os efeitos nocivos do petróleo.
Amilton Sinatora
Referências
- Em cena, Eduardo Sabino de Oliveira, em “A saga do álcool”, J. Natale Netto (Editora. Novo Século 2007). Capítulo 5, páginas 83 a 103.
- http://www.shell.com/home/content/bra/aboutshell/media_centre/news_and_media_releases/2010/news/shell_cosan_jointventure_010210.html
Álcool combustível no Brasil – Pesquisa no Nordeste e no Rio de Janeiro
02/02/2010Álcool combustível no Brasil – primeiros passos
27/01/2010Efeito do uso do álcool combustível nas válvulas dos motores
02/10/2009Todos os que estudam tribologia, em especial os pesquisadores preocupados com tribologia de motores, precisam estudar na edição de setembro de 2009 da revista Quatro Rodas a matéria do jornalista Péricles Malheiro. Ele acompanhou a desmontagem do motor do Punto ELX 1.4 da FIAT.
A reportagem traz resultados muito interessantes sobre o efeito do álcool nos componentes automotivos. Após 60 mil quilômetros, a carroceria, os anéis sincronizados e a região de contato dos garfos seletores de marcha com as luvas estavam intactos revelando a boa saúde do veículo nestes componentes que, destacamos, não entram em contato com o álcool combustível.
Os usuários haviam detectado um aumento do consumo urbano e rodoviário de 5,6 e 17,8 % , respectivamente. Uma análise do motor mostrou que a pressão nos quatro cilindros era de 196,6; 113,3; 180 e novamente, 180 psi, indicando que algo não estava bem nos cilindros 2, 3 e 4.
O estudo do motor mostrou que o cabeçote tinha sinais de escorregamento de óleo pelas válvulas, chegando a contaminar a câmara de combustão, e o cilindro 2 era o que apresentava dano mais intenso. A reportagem explica que este dano pode ter decorrido da perda de eficiência dos retentores que trabalham em contato com o lubrificante devido a desgaste ou uso de combustíveis adulterados.
Devido ao interesse nos motores a álcool por seu baixo impacto ambiental, esta reportagem mostra que se deve pesquisar o desgaste associado ao uso do álcool. Estes estudos ganham importância diante da eminente elevação da pressão específica dos motores, ou seja, a elevação das forças e das temperaturas nos motores para reduzir seu tamanho e seu consumo.
Amilton Sinatora

Escrito por Amilton Sinatora 