Motores flex-fuel, regulagem de motores e emissões
08/12/2009Inovação, trabalhadores qualificados e o câmbio valorizado
10/11/2009O defeito misterioso dos motores 1.0
27/10/2009Sábado dia 24 de outubro talvez possa vir a ser o dia nacional da tribologia de motores.
O Jornal da Tarde estampa na capa “Defeito misterioso ameaça Volks com motor 1.0″ e expõem o que se sabe em uma página inteira do jornal. No Estado de São Paulo uma chamada de capa diz “Motor do 1.0 está com defeito, adimite Volks”. Segue-se mais uma matéria de uma página.
São centenas de veículos com defeito, cerca de 300 segundo as reportagens. Os veículos começam apresentando elevação de ruído, detecta-se diminuição no nível de óleo e, em decorrência, surgem problemas em diversos componentes. As reportagens informam que ocorreram substituições de cabeçotes e de motores inteiros.
Para os usuários obviamente tudo isto é aquela infeliz combinação de transtorno e mais despesas. Cabe lembrar que trocar o motor significa fazer toda a documentação do carro novamente. As concessionárias estão assumindo estes custos mas o tempo e o aborrecimento não tem preço.
Para os tribologistas trata-se de mais uma oportunidade para enfrentar os desafios tribológicos destes motores flex. A montadora vai se pronunciar em dois ou três meses (final de dezembro ou final de janeiro de 2010).
Até lá só nos resta especular sobre dois caminhos. Há, de fato, um defeito misterioso que escapou aos rigorosos controles das produtoras de auto peças e das rigorosas análises da montadoras ou o que estamos assistindo é mais uma manifestação de uma tendência estrutural na evolução dos motores, o aumento da potência específica?
Se o problema for fruto da evolução dos motores devemos nos preparar para o que vai ocorrer com os demais motores 1.0, pois o uso do alcool potencializa, como já vimos os desafios tribológicos nos motores flex. (No site www.lfs.usp.br, análises sobre o tema)
Amilton Sinatora
Efeito do uso do álcool combustível nas válvulas dos motores
02/10/2009Todos os que estudam tribologia, em especial os pesquisadores preocupados com tribologia de motores, precisam estudar na edição de setembro de 2009 da revista Quatro Rodas a matéria do jornalista Péricles Malheiro. Ele acompanhou a desmontagem do motor do Punto ELX 1.4 da FIAT.
A reportagem traz resultados muito interessantes sobre o efeito do álcool nos componentes automotivos. Após 60 mil quilômetros, a carroceria, os anéis sincronizados e a região de contato dos garfos seletores de marcha com as luvas estavam intactos revelando a boa saúde do veículo nestes componentes que, destacamos, não entram em contato com o álcool combustível.
Os usuários haviam detectado um aumento do consumo urbano e rodoviário de 5,6 e 17,8 % , respectivamente. Uma análise do motor mostrou que a pressão nos quatro cilindros era de 196,6; 113,3; 180 e novamente, 180 psi, indicando que algo não estava bem nos cilindros 2, 3 e 4.
O estudo do motor mostrou que o cabeçote tinha sinais de escorregamento de óleo pelas válvulas, chegando a contaminar a câmara de combustão, e o cilindro 2 era o que apresentava dano mais intenso. A reportagem explica que este dano pode ter decorrido da perda de eficiência dos retentores que trabalham em contato com o lubrificante devido a desgaste ou uso de combustíveis adulterados.
Devido ao interesse nos motores a álcool por seu baixo impacto ambiental, esta reportagem mostra que se deve pesquisar o desgaste associado ao uso do álcool. Estes estudos ganham importância diante da eminente elevação da pressão específica dos motores, ou seja, a elevação das forças e das temperaturas nos motores para reduzir seu tamanho e seu consumo.
Amilton Sinatora
Oportunidade para inovação tecnológica
29/07/2009A reportagem da jornalista Samantha Lima publicada na Folha de São Paulo, edição de domingo, 26 de julho de 2009, interessa profundamente as empresas do pólo industrial de Caxias do Sul e, portanto, aos professores e estudantes da Universidade de Caxias do Sul. As micro e pequenas empresas, aquelas que tem menos de 50 funcionários, são 98% das empresas do no Brasil, ou seja, mais de 4,5 milhões num total de 4,6 milhões de empresas!! Mais expressivo do que seu número é o número de empregos gerados por estas empresas nesta recessão. Elas contrataram 450 mil funcionários em 2009 (até junho) enquanto que as médias e grandes demitiram 150 mil!
Estes dados me levam a duas reflexões. Quanto maiores as empresas, mais intensivas em capital elas são, ou seja, são necessários grandes investimentos para que estas empresas se atualizem e gerem alguns empregos diretos. Do outro lado, as micro e pequenas empresas necessitam de pouco capital para gerar empregos. O que vale para investimentos em equipamentos ou obras, vale para investimentos em pesquisa e inovação.
A segunda é sobre a importância do I.N.E.S. no pólo industrial de Caxias do Sul onde mais de 2000 pequenas e médias empresas são filiadas ao SIMECS. Levar a inovação a estas empresas equivale a gerar empregos mais qualificados e portanto mais resistentes às inevitáveis crises econômicas.
A propósito, como fazer para estimular a inserção de mestres e doutores nas micro e pequenas empresas? , está aberto até dia 31/08/2009 o edital MCT/SETEC/CNPq Nº 67/2008 RHAE . As condições para participar estão em http://www.cnpq.br/editais/ct/2008/067.htm. Tenho certeza de que todos os pesquisadores do I.N.E.S. estarão á disposição das empresas de Caxias para colaborar na elaboração de propostas.
Amilton Sinatora
Físicos na indústria
28/07/2009Na edição deste mês da “Physics Today”, um artigo intitulado “Industrial R&D in transition” chamou bastante minha atenção. Os autores R. Joseph Anderson and Orville R. Butler mostram um levantamento a respeito da colocação dos físicos no mercado de trabalho americano. Enquanto nos anos 70, metade dos físicos nos Estados Unidos estava no meio acadêmico, pouco mais de um terço estavam trabalhando na indústria. Esse número se inverteu nos anos 90, onde agora metade dos físicos está na indústria e um terço na academia, mostrando a grande importância da pesquisa de desenvolvimento dentro das indústrias.
Esse aumento no número de físicos na indústria tem um reflexo direto no volume de produtos com alto valor agregado fabricados naquele país, que sem dúvida leva a consideráveis aumentos no PBI. De fato, uma correlação entre o crescimento do PIB e da pesquisa em engenharia já foi sugerida.
Bom, e no Brasil? No Brasil, infelizmente a profissão de físico não é regulamentada, de modo que raramente as empresas têm físicos nos seus quadros funcionais. Além disso, a falta de política de pesquisa e desenvolvimento na grande maioria das empresas ajuda a perpetuar esse quadro. Sendo assim, a esmagadora maioria dos físicos no Brasil está na academia, e os que não estão, acabam batendo as asas para o exterior.
Um dos objetivos do INES é romper esse paradigma e atuar cooperativamente com diferentes setores produtivos do país, fazendo uma ponte entre a academia e o produto final. Mais ainda, é abrir novas perspectivas para a geração de tecnologias na área de engenharia de superfícies, que possam ser agregadas a produtos fabricados no Brasil. Com isso, podemos passar para um país com uma indústria verdadeiramente forte e competitiva, como já foi dito anteriormente nesse blog.
Por fim, fica a minha pergunta: Quando os físicos passaram a ser considerados profissionais de verdade no Brasil?
Abraços,
Gabriel
Corte das emissões de CO2 nos EUA
22/07/2009Numa votação apertada, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou por 219 votos contra 212 uma lei que estabelece limites para emissões de gases poluidores. A lei exige uma redução de 17% das emissões até 2020 e uma redução de 83% (oitenta e três!!) até 2050 em relação aos níveis de 2005. (Notícia do Jornal O Estado de São Paulo 27-06-2009)
Esta notícia é muito importante para o I.N.E.S. – Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies –, pois a Engenharia de Superfícies terá uma contribuição importante nesta redução de poluentes. Novos revestimentos de anéis de motores, por exemplo, devem reduzir as forças de atrito e, conseqüentemente, reduzir a emissão de CO2. Recobrimentos das paredes das camisas dos motores podem resultar em maiores temperaturas de operação reduzindo mais ainda a emissão deste gás.
Outros tipos de motores como os grandes motores das locomotivas, dos navios e de grupos geradores de energia também deverão passar por melhorias para atender as metas da nova lei. Outros campos de atuação do I.N.E.S., como o desenvolvimento de processos de recobrimento de superfícies menos agressivos ao ambiente que processos convencionais de tratamentos térmicos, como os processos que empregam plasma, passam a ter maior importância diante da nova lei.
Com a aprovação desta lei, o campo de atuação do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies fica ainda mais em evidência perante a sociedade. Mais do que isto, caso a lei seja sancionada pelo Senado dos EUA, o I.N.E.S terá um indicador numérico para muitas de suas metas pois, a partir de 2012 a lei estabelece indicadores anuais a serem atingidos.
Amilton Sinatora
Escrito por Amilton Sinatora 