É a forma de desgaste provocada pela ação de partículas duras incidentes sobre um sólido, carreadas ou não por um fluido.
Erosão, natureza e reflexões mais amplas
20/08/2010Engenharia de superfície pré-colombiana
01/07/2010Uma das poucas vantagens de se morar na capital de São Paulo é que a maioria dos eventos culturais acaba passando por aqui. É este o caso da exposição “Ouros de Eldorado”, que nos traz parte do acervo do Museo Del Oro de Bogotá, Colômbia. A exposição está na Pinacoteca do Estado – uma bela edificação incompleta da primeira década do século XX transformada em museu ao lado do Parque da Luz, no centro velho de São Paulo.
O visitante pode conhecer trabalhos em metal de diferentes culturas pré-colombianas que retratam, em adornos de ouro, cobre, bronze e suas ligas, aspectos da fauna, flora e intrigantes concepções abstratas. A visita às peças tem apoio de três vídeos que permitem que o visitante situe histórica, geográfica e antropologicamente as peças da exposição.
Muitas peças foram obtidas por martelamento, ou seja, deformação plástica a frio, seguida de aquecimento para promover o recozimento dos metais e permitir assim que o objeto continue a ser trabalhado sem fraturar. Outras foram obtidas por fundição empregando a técnica de cera perdida, o que permitiu aos nossos precursores obter peças muito delicadas com intrincados detalhes.
O ponto alto da exposição, do ponto de vista da engenharia de superfícies, são as peças feitas em ligas ouro-cobre e tratadas superficialmente. Nossos ancestrais em engenharia de superfícies moldavam as peças e as oxidavam. Esse processo oxidava seletivamente o cobre aumentando assim a concentração de ouro logo abaixo do filme de óxido. Em seguida, promoviam a decapagem ácida do filme de óxidos empregando sucos de plantas nativas moídas em solução com água. Com isto conseguiam superfícies muito finas de ouro cuja intensidade de amarelo podia ser controlada mediante as repetições do processo de oxidação e decapagem. Essa tecnologia permitia adequar relevo e cor. A técnica permitia, sem dúvida, que com muito menos ouro (por exemplo 5%) se obtivessem superfícies tão douradas quanto as obtidas em ouro maciço.
Amilton Sinatora
Publicar ou perecer (3). Por que NÃO publicar? – Leonardo da Vinci
28/05/2010Meu colega o Prof. Deniol K. Tanaka e eu tivemos o privilégio de discutir por mais de uma vez o papel do artista Leonardo da Vinci na tribologia, em especiar suas contribuições no estudo do fenômeno de atrito e seus estudos sobre desgaste.
Publicar ou perecer (2) Por que publicar? – A divulgação científica.
21/05/2010Encontrar o Professor Evandro Mirra é sempre uma oportunidade para ampliar os horizontes. Desta vez, em Ouro Preto em 6 de maio, não foi diferente. Pude contar ao colega as duas viagens que fiz em decorrência da leitura do seu livro “A Ciência que sonha e o verso que investiga”.
A WIKI-TRIBOLOGIA brasileira
29/04/2010Com o post sobre “o que é tribologia” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Tribologia) iniciamos uma contribuição sistemática para a WIKIPEDIA sobre nossa área de atuação.
Esta atitude muito simples decorre da inclusão desta atividade – fazer, apresentar, discutir e “postar o post” – entre as atividades didáticas obrigatórias dos alunos que cursam minha disciplina de pós graduação “PME 5873 – Introdução ao estudo do desgaste”. Em outras palavras, preparar e postar “valem nota”.
Com isto, creio, estimula-se no aluno uma visão menos privatista do conhecimento, obrigando-o a compartilhar uma pequeníssima parcela do que ele aprendeu. Numa escola de engenharia isto não é uma atividade fácil nem óbvia. Afinal os engenheiros são treinados para a ação e apropriação individual.
Do ponto de vista da tribologia no Brasil, a contribuição aponta um caminho, o da difusão dos conhecimentos de nossa área de atuação para um público imensamente mais amplo do que aquele que freqüenta nossas salas de aula.
Em segundo lugar, abrimos o debate público sobre conceitos de tribologia uma vez que a WIKIPEDIA é um instrumento aberto que acolhe sem ressalvas alterações e melhorias.
Quem sabe se ampliando a difusão dos conceitos e promovendo intensamente o debate não damos passos para consolidar a tribologia como uma das áreas do conhecimento na qual nosso país é excelente e reconhecido?
Os temas oferecidos aos alunos foram os que listamos abaixo e que deixo como sugestão para colegas que desejem “postar” ampliando a WIKI-TRIBOLOGIA brasileira.
- Definição de tribologia
- Definição de sistema tribológico ou tribossistema
- Definição de força de atrito
- Definição de coeficiente de atrito
- Definição de desgaste
- Definição e tipos de desgaste por deslizamento
- Definição de desgaste por partícula dura e a diferenciação entre erosão e abrasão
- Definição de cavitação
- Definição dos regimes severo e moderado de desgaste
- Definição de regime permanente e running in em desgaste
- Definição de lubrificação
- Definição dos regimes de lubrificação
- Definição de área real e área aparente de contato
- Definição de tipos de contato conforme e não conforme
Amilton Sinatora
Sobre a engenharia de superfícies
07/08/2009A engenharia de superfícies é usada em larga escala nos sistemas produtivos de países com altos índices de desenvolvimento industrial. Trata-se da tecnologia de preparação e modificação das superfícies de componentes de engenharia para cumprir funções específicas dentro de uma aplicação, em geral sem modificar significativamente as dimensões dos componentes para a aplicação projetada. Ela promove avanços tecnológicos que produzem soluções eficazes na vanguarda de diversos segmentos industriais.
Praticada empiricamente há milênios pelo homem, a consolidação da engenharia de superfícies como tecnologia – prática com base na ciência – ainda hoje é dificultada pelo conhecimento limitado da Físico-Química das superfícies e interfaces sólidas. Essas têm comportamento completamente diferente e muito mais complexo do que o do volume (bulk, em inglês) dos sólidos. Confirmando isso, o Prêmio Nobel de Química em 2007 foi concedido a Gerhard Ertl, um especialista em fenômenos físico-químicos de superfícies. A frase de Wolfgang Pauli, “God made solids, but surfaces were the work of the Devil. …”, continuará justificando esforços para compreender e controlar as superfícies. Conseqüentemente, a investigação das superfícies e interfaces sólidas e suas aplicações continuarão sendo vanguardas da Físico-Química por muito tempo.
A engenharia de superfícies permite, por um lado, a síntese de superfícies com propriedades benéficas inusitadas. Por outro lado, o conhecimento científico e o controle dos processos são ainda insuficientes. Um exemplo, escolhido ao acaso entre inúmeros outros, ilustra bem: sabemos há dez anos que componentes de engenharia aeroespacial com revestimento nanolaminado TiN/Ti, ou seja um revestimento compósito de espessura total de aproximadamente 1 a 4 micrometros, formado mediante superposição de 100 a 800 bicamadas de filmes finos do tipo TiN/Ti, com espessura típicas de 5 a 8 nanometros cada bicamada, apresentam propriedades mecânicas e tribológicas muito superiores se comparados com os mesmos componentes revestidos com uma única bicamada TiN/Ti com a mesma espessura total de 1 a 4 micrometros. Entre outras propriedades excepcionais, destacam-se:
a) ultra-dureza – dureza superficial até três vezes maior;
b) redução de atrito – coeficiente de atrito até 10 vezes menor;
c) ultra-adesão – força de adesão ao componente de engenharia, em trabalho, até 10 vezes superior.
Esses ganhos inusitados permitem conceber aplicações impensáveis até recentemente na engenharia aeroespacial, automotiva, de instrumentação biomédica e odontológica. Em particular, esses revestimentos não alteram significativamente as dimensões dos componentes de engenharia para a maioria das aplicações. Porém, esses benefícios não são obtidos sistematicamente para qualquer tipo de componente, assim como nem sempre as três propriedades acima são melhoradas na mesma aplicação. Nesse caso, como em inúmeros outros, ainda não temos uma explicação plausível para o fenômeno e nem para a sua escassa reprodutibilidade, o que limita a aplicação de tão importante descoberta. A inserção progressiva dessa tecnologia em sistemas produtivos industriais de grande porte em operação no país agrega valor inquestionável aos produtos pela via da inovação tecnológica, assim como fomenta o surgimento de novos processos, produtos e empreendimentos.
Saudações,
Israel

Escrito por Amilton Sinatora 


