Internacionalização da Pós-Graduação Brasileira.

01/03/2013
Maior presença de línguas estrangeiras nas universidades brasileiras contribuiria a internacionalizar.

Maior presença de línguas estrangeiras nas universidades brasileiras contribuiria à internacionalização.

Após ter lido este interessante artigo do colega professor Leandro Tessler sobre a necessidade de uma maior presença do idioma inglês nas universidades brasileiras, comecei a prestar mais atenção no assunto.

No mês de dezembro estive em Nancy (França) realizando atividades de coordenação do projeto CAPES/BRAFITEC. Esse projeto permitiu o intercâmbio de estudantes entre a UCS (Universidade de Caxias do Sul), onde sou professor, e a EEIGM, na área da Engenharia de Materiais. A sigla EEIGM quer dizer: “École Européenne d’Ingénieurs en Génie des Matériaux”, ou seja, é uma instituição de caráter europeu (não só francês) dedicada à graduação em Engenharia de Materiais. Nessa escola, os alunos devem falar, pelo menos, quatro línguas para obterem seus diplomas de “ingénieurs” (sendo o inglês obrigatório mediante certificado de Cambridge). Como a EEIGM faz parte de um consórcio de universidades, a “école” envia e recebe alunos de instituições da Alemanha, Espanha, Suécia, Polônia e Rússia (as parceiras). Daí a necessidade de ter pelo menos o inglês como língua franca, além das línguas dos respectivos países.

A EEIGM não é um caso isolado. Grande parte das instituições francesas de ensino superior possui sistemas de intercâmbio, já no nível de graduação, com outras instituições do mundo todo. Além disso, não só o inglês já está bem estabelecido no sistema francês de ensino e no nível de graduação (após grande reticência histórica) como também o mandarim é uma terceira opção que muitos acadêmicos já estudam e até falam.

Essas evidências me fazem pensar que não apenas é acertado debater a necessidade da língua inglesa no ensino superior, como também deveríamos pensar na obrigatoriedade da mesma. Humildemente, eu penso que estamos muito atrasados em termos de domínio de línguas no mundo universitário brasileiro quando comparado com um sistema evoluído como o francês.

Finalmente, acredito que a experiência linguística seja um dos pontos mais importantes do programa federal “Ciência sem Fronteiras” (do qual tenho, também, opiniões em contra por ter desprotegido o orçamento da Ciência e Tecnologia). É evidente que essa experiência ajuda a fortalecer a respectiva língua estrangeira do acadêmico em intercâmbio. O outro ponto de destaque do programa é conhecer um outro sistema de ensino.

Mesmo assim, eu entendo que um sistema de pós-graduação bilíngue é um tema que nós como professores universitários devemos pensar muito seriamente e a CAPES poderia ajudar a desenvolver, inclusive com normas e recursos específicos.

Carlos A. Figueroa


Eficiência energética em carros terá incentivos fiscais: oportunidade para a engenharia de superfícies.

04/10/2012

Parabéns ao Governo e, em especial, ao Ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior pela medida publicada no Estadão de hoje:

Economia de combustível pode ser obtida, por exemplo, reduzindo o atrito entre as partes móveis dos motores.

“Montadoras com eficiência energética terão incentivos, diz Pimentel.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, informou nesta quinta-feira que a indústria automotiva brasileira terá que reduzir o porcentual de consumo médio de combustível por quilômetro rodado dos carros”.

(…)

Esta medida está em total consonância com dois eixos básicos:

1º) diminuir as emissões de CO2 à atmosfera via eficiência energética e

2º)  aumentar a competitividade da indústria brasileira via inovação tecnológica.
O Brasil já possui o conhecimento necessário para resolver estes desafios tecnológicos.

Além das melhorias que podem ser feitas no projeto aerodinâmico e mecânico e na seleção de materiais mais leves, a redução de perdas energéticas de peças técnicas é um dos temas da engenharia de superfícies. Já existem grupos reconhecidos e empresas que trabalham neste segmento do conhecimento e do mercado, respectivamente, e que podem ajudar a realizar as inovações tecnológicas necessárias.

Acredito que esta é uma nova oportunidade para uma interação produtiva da cadeia brasileira de inovação em engenharia de superfícies.

Vejam a notícia na íntegra: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia%20brasil,montadoras-com-eficiencia-energetica-terao-incentivos-diz-pimentel,129384,0.htm

Até a próxima,

Carlos A. Figueroa


Nancy, terra de gravuras e texturização de superfícies.

28/06/2012

Na cidade francesa de Nancy, no século XVII, o artista Jacques Callot implementava algumas inovações na confecção das matrizes que usava para realizar suas gravuras. Ao longo da sua vida, o artista produziu mais de 1.400 gravuras, como esta, chamada “Os dois pantaleões”:

Uma das inovações de Callot foi o uso de um verniz diferente, que era aplicado na madeira pela comunidade dos lutiers (fabricantes de violinos e outros instrumentos de corda) de Florença e Veneza. Outra foi a troca da ferramenta habitualmente utilizada para cavar o verniz nas matrizes por uma outra ferramenta, tomada dos ourives. Com essas inovações, o artista conseguiu agilizar e flexibilizar o envernizamento das matrizes e obter traços mais dinâmicos nos desenhos.

Na mesma cidade, só que quatro séculos depois, o professor e pesquisador Thierry Czerwiec, em seu laboratório do Institut Jean Lamour, faz parte de uma comunidade mundial de cientistas que, como Jacques Callot, grava superfícies metálicas, só que numa escala muitíssimo menor.

O tema de pesquisa de Czerwiec é conhecido como texturização de superfícies e consiste na produção de arranjos regulares (padrões) que se erguem a alguns micro ou nanometros de altura.

Alguns dos desenhos obtidos pelos pesquisadores que trabalham com texturização revelam, por meio de microscópios, formas belíssimas. Entretanto, na maior parte dos casos, o objetivo da texturização não é impactar visualmente, e sim conseguir determinadas propriedades que interessam segmentos industriais como o de energia, óptica, microeletrônica ou automotivo. Um exemplo: uma economia de combustível de 4% em motores de combustão interna pode ser obtida por meio da texturização parcial de anéis de pistão.

Num seminário promovido pelo Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies e o PGMAT da UCS  no dia 12 de junho em Caxias do Sul, o professor Czerwiec (na foto baixo) falou por cerca de uma hora sobre a texturização de superfícies e ilustrou suas palavras com muitas imagens. O público pôde apreciar rosas micrométricas, nanopontos com propriedades magnéticas usados para armazenamento de dados e conjuntos de minúsculos morros que imitam a microtextura da folha do loto com o objetivo de obter superfícies autolimpantes,  entre muitas outras imagens.

Crédito: Daniela Schiavo.

Mas como são obtidas essas superfícies micro e nanotexturizadas? O professor Czerwiec apresentou uma série de técnicas. Algumas delas texturizam a superfície ao adicionar material, criando relevos. Outras conseguem desenhar os padrões mediante a remoção de material (como era o caso, escalas a parte, das matrizes de Callot). Em outros casos, o material se desloca de uma parte da superfície para outra. Finalmente, existem os casos de autoformação de padrões em consequência de interações espontâneas entre componentes do material.

No final do seminário, o pesquisador francês apresentou uma inovação de seu grupo de pesquisa do Institut Jean Lamour: uma técnica de texturização para aço inoxidável e outros materiais austeníticos.  A técnica consiste em realizar uma nitretação a plasma numa amostra coberta por uma malha de cobre, a qual acaba funcionando como máscara. Os pesquisadores de Nancy tomaram essa malha emprestada do microscópio eletrônico de varredura, onde ela é usada como porta-amostras.

No processo de nitretação a plasma, íons de nitrogênio bombardeiam a superfície da amostra mascarada e interagem com os elementos presentes no aço, formando novos compostos que fazem a amostra crescer através dos furos da malha de cobre. O resultado é uma superfície microtexturizada.

Para os iniciados na área de materiais e para os curiosos que desejam ver as imagens das microtexturas, segue a apresentação do professor Czerwiec, publicada no Slideshare do Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies:


Corte no orçamento de CTI + Ciência sem Fronteiras: mistura explosiva?

26/04/2012
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Bons recursos humanos deixam o Brasil pelo Ciência sem Fronteiras e orçamento de CT&I é cortado: como fica o dia-a-dia da pesquisa no país?

Entre correções e mais correções de qualificações e dissertações e ainda escrevendo artigos científicos, vou parar um momento e escrever sobre algo que venho pensando faz várias semanas: o corte no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O corte tem sido ampla e publicamente criticado. Dez entidades representativas da comunidade científica e da indústria brasileira assinaram um manifesto contra o corte e o descontento repercutiu também no exterior, como por exemplo na matéria publicada na Nature.

Vinte e três por cento de corte (sem considerar o corte já realizado em 2011) é uma fatia relevante que muda o rumo da excelente política científica e tecnológica brasileira que venho acompanhando desde o começo do meu doutorado, no ano 2000. O Brasil não só foi aumentando o investimento nesta área estratégica do desenvolvimento do país como também foi diversificando as áreas de interesse, abrangendo desde a ciência básica até o financiamento de projetos tecnológicos em empresas de todos os portes. O aumento do número de mestres e doutores formados, da participação na pauta de publicações e patentes nacionais e internacionais e do número de grupos de pesquisa, como também o incremento da infraestrutura laboratorial de universidades e centros de pesquisa são grandes conquistas. Esses resultados, devidos à aplicação de recursos públicos, deveriam despertar o orgulho de qualquer brasileiro(a).

Agora, esses 23% a menos (cerca de R$ 1,5 bilhão) mudarão, para pior, essa curva ascendente. Nesse contexto, chama bastante a minha atenção o programa “Ciência sem Fronteiras” (CsF), que usa recursos do estratégico MCTI. Baseado numa premissa mais do que relevante, a formação de recursos humanos de excelência, o CsF não sofreu cortes e, segundo entendo, está usando parte dos recursos normais do CNPq e da FINEP (ambos dependem do mesmo ministério).

Entretanto, a mistura explosiva de menos recursos materiais, devido ao corte de 23%, e menos recursos humanos, levados ao exterior pelo CsF, (o programa prevê 75 mil bolsas) sufocará os grupos de pesquisa brasileiros. Segundo minhas contas, as bolsas do CsF somam cerca de R$ 1 bilhão, sem considerar pagamento de matrículas de universidades particulares estrangeiras.

O efeito negativo do corte já está se manifestando com a marcada queda na oferta de editais no CNPq e FINEP. Atualmente, na página do CNPq temos majoritariamente editais relativos ao CsF. O edital Universal 2012, lançado recentemente, mistura 3 editais anteriores (Universal, Bolsas Apoio Técnico e Bolsas IC) e impossibilita o pesquisador beneficiado com o auxílio de receber outro auxílio Universal nos 3 anos seguintes.

Eu entendo que os recursos financeiros são finitos e devem ser usados racionalmente. Por isso, no meu entendimento, o lançamento do CsF em paralelo com um corte no MCTI não foi planejado o suficiente e provocará no sistema brasileiro da CT&I estragos que levarão anos para serem sanados.

Com relação à formação de recursos humanos no exterior, segundo a minha visão, já existem excelentes programas da CAPES (em nível de graduação e pós-graduação) e do CNPq (em nível pós-graduação) que permitem que, não só os nossos estudantes, como também os nossos professores e pesquisadores possam ter uma experiência diferenciada na exterior. Na minha vivência pessoal na comunidade científica brasileira, nunca ouvi estudantes, professores ou pesquisadores reclamando que não puderam ter uma experiência no exterior. Geralmente, quem quer e se compromete consegue recursos para isso. Nesse contexto, era necessário criar um novo programa e destinar mais recursos em bolsas, passagens e matrículas em universidades estrangeiras, ou bastava melhorar a gestão e a divulgação dos editais já existentes?

Então, a minha pergunta é: por que foi lançado num momento de corte orçamentário um programa que se superpõe com outros já existentes, em funções e objetivos, e que consome uma fatia dos recursos que deveriam ser destinados para alavancar jovens doutores e grupos de pesquisa em crescimento e já estabelecidos? Estou preocupado mais como cidadão do que como pesquisador. O futuro econômico e a soberania do país dependem da área de CT&I, e um desacerto nas políticas pode trazer um atraso considerável após anos de crescimento real nesta área.

Aproveito para divulgar o breve discurso do cientista Stevens Rehen (UFRJ), especialista em células-tronco, na ocasião da entrega do prêmio Faz diferença, do jornal O Globo. Stevens cita o significativo interesse da sociedade pela ciência e é aplaudido ao falar sobre o corte.  O vídeo, editado pelo laboratório de Stevens, mostra também o empresário Eike Batista, também premiado na mesma ocasião, declarando que “adora investir em ciência”.

Carlos A. Figueroa


Revestimentos metalúrgicos em San Diego

19/05/2011
coating

Revestimentos, tema da conferência. Em 2011, destaque para HIPIMS e abordagem tribológica.

Bom dia!

Participei, neste mês de maio, da International Conference on Metallurgical Coatings & Thin Films (ICMCTF) – uma experimentada conferência na área dos revestimentos metalúrgicos. As quase quatro décadas de existência do evento permitem que tenha uma excelente visão da pesquisa, desenvolvimento e inovação nesta área da engenharia de superfícies, devido à presença em quantidade e qualidade de profissionais e empresas do setor.

Fazia 10 anos que eu não participava desta conferência. Embora tenha caído a quantidade de participantes, 800 pessoas ainda é um número relevante quando pensamos na densidade de conhecimento resultante da participação de todos esses indivíduos.

A qualidade técnica e a intensidade da conferência são marcas registradas. Prova disso: a entrada é às 8:00 hs e a saída, às 18:00 hs, sem coffee break, com até 7 sessões em paralelo. Para aqueles que querem aproveitar cada minuto e dinheiro investido, ainda há palestras com lanches ao meio-dia, como, por exemplo, a palestra com um diretor da Elsevier e 5 editores de revistas importantes (Thin Solid Films, Surface&Coatings Technology, Vacuum, Applied Surface Science e Surface Science), o que não é pouca coisa.

Do ponto de vista técnico, HIPIMS continua sendo “a menina dos olhos” das tecnologias emergentes na área de processamento de superfícies por plasma. A conferência mostrou um volume importante de trabalhos com muitas sessões específicas. Porém o estado-da-arte ainda parece um pouco distante das aplicações industriais. Se o magnetron sputtering tradicional já é relativamente complexo, HIPIMS é exponencialmente mais dependente das variáveis que o seu predecessor.

Além disso, as sessões de tribologia aumentaram, e muitos trabalhos são focados a partir dessa abordagem. Aliás, os trabalhos mais impactantes, do meu ponto de vista, foram os tribológicos in situ. As sessões de DLC não possuem mais CNx e estão quase concentradas nas aplicações com pouco trabalho básico. Por último, as palestras-review foram muito boas para ver a linha do tempo de muitas tecnologias, técnicas e materiais que trabalhamos no dia-a-dia.

No workshop industrial não vi muita coisa nova (só inovação incremental), mas me chamou a atenção um espectrômetro de massas de alta velocidade de resposta, enxuto e portátil, da Brooks Automation, o qual não opera com o princípio físico tradicional do campo elétrico de um quadrupolo e sim por um campo elétrico que faz entrar os íons em ressonância para obter o sinal.

Finalmente, a comida mexicana e o contexto do estado da Califórnia dão um toque particular a esta conferência.

Carlos A. Figueroa


Parou por quê?

01/04/2011

Conheço um sujeito engraçado que conta a piada:

“Tudo passa: a uva passa, o ferro passa e a vida passa”.

Como tudo passa, tudo muda. O Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies (INES), em seus passos iniciais, formulou uma proposta de divulgação que vai da home page até um blog como este, de visitas a empresas até encontros, congressos e cursos como o realizado em fevereiro com a VALE.

Naquela época, ano 2009, engajei-me na proposta de manter um post semanal no blog do INES. Foi um belo aprendizado e também foi divertido. Mas, como tudo passa e tudo muda, o meu quotidiano também mudou, passando a envolver muitas outras atividades além das de 2009.

Por outro lado, e ao mesmo tempo, constatei que como instrumento de troca de ideias o blog parece não ser o instrumento mais eficiente. Talvez porque vivamos sob permanente censura ou autocensura, talvez porque não cultivemos o hábito de debater, talvez porque sejamos todos muito ocupados, talvez porque o público para “tribo-assuntos” seja restrito ou porque os temas aqui postados não sejam nem tão interessantes nem tão bem apresentados.

Por tudo isso, e como já prenunciava a perda de ritmo e de periodicidade nos meus posts, vou mudar meu compromisso de ‘postador semanal’ para ‘postador eventual”.

O interessante é que com esse discurso chegamos a mais um post.

Amilton Sinatora


Que dureza! Qual dureza?

17/03/2011

"The Hardness of Metals", "obra original e instigante". Clique na imagem para olhar o livro no site da Amazon.

Ensinar é, frequentemente, reconhecer os erros. No ensino de pós-graduação, especialmente, onde lidar com conhecimento não estabelecido faz parte do dia-a-dia, os mea culpa são para mim mais e mais frequentes.

Um deles refere-se ao modelo de Bowden e Tabor (The friction and Lubrication of Solids) para o coeficiente de atrito. Neste modelo, os autores usam um conceito no qual o efeito da força normal aplicada é relacionado com a área real de apoio por meio da dureza. Por isso, o aumento da força leva (no campo plástico) ao aumento linear da área. O que tenho ensinado é que, “evidentemente” (!), isso se deve ao fato de que dureza é  a força dividida pela área projetada.

E, se tudo é tão “evidente”, onde está o erro?

Uma breve reflexão sobre a definição de dureza Brinell nos mostra que a força aplicada é dividida pela área da calota esférica formada e não (NÃO) pela área projetada. Se o modelo de Bowden e Tabor não considera a dureza Brinell, “então está tudo errado”?

Nem tudo está perdido, felizmente. O belo livro de  Tabor The hardness of Metals nos apresenta a solução para o raciocínio sobre dureza que eu uso nos cursos, a dureza Meyer.  Nessa escala de dureza, a força aplicada é dividida pela área projetada, para a minha sorte!

Ufa, o erro já foi transformado em omissão do sobrenome da dureza. Dizer apenas que a elevação da força (no campo plástico) resulta no aumento linear da área não está exatamente errado, está “apenas” incompleto.

Ou seja, vou poder continuar falando o que sempre falei nos cursos, o aumento da força normal aplicada levará a um aumento linear da área de contato. Só que, de hoje em diante, terei embasado a afirmação em um conhecimento estabelecido e não na aquiescência (generosidade) dos alunos diante da minha liberdade de linguagem e, prometo, farei referência explicita à dureza Meyer.

Por esta e por outras, como por exemplo a excelente análise sobre área real de contato que Tabor faz no último capítulo do livro, é que recomendo a leitura desta obra original e instigante, The Hardness of Metals.

Amilton Sinatora

Referências

Tabor. D., The Hardness of Metals, Oxford Classic Texts in the Physical Sciences, 1951 (Ed. 2000).
Bowden, F.P., Tabor, D. The friction and Lubrication of Solids. Oxford Classic Texts, 1950-1954 (Ed. 2008)


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